Com 237 à espera por transplante de rim em MS, alerta é para doença silenciosa que pode levar à fila
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| Divulgação |
Mato Grosso do Sul tem atualmente 237 pessoas na fila de espera por um transplante renal, segundo dados do Ministério da Saúde. O número chama atenção para a importância do diagnóstico precoce da doença renal crônica, um problema que costuma evoluir de forma silenciosa e pode levar meses ou até anos sem apresentar sintomas.
De acordo com a médica nefrologista Alana Campione, quando os sintomas aparecem, muitas vezes a doença já está em estágio avançado, o que limita as possibilidades de tratamento.
“Quando o paciente chega já com sintomas, a doença já vai estar em estágio avançado. Nesse estágio, eu já não tenho muito o que fazer. Eu falo no consultório que fico um pouco com os braços amarrados, porque não tenho tantas medidas. Então, é mais tentar controlar sintomas e programar o início da diálise”, explica.
Entre os sintomas mais comuns estão cansaço crônico, quando a pessoa percebe maior fadiga nas atividades do dia a dia, inchaço nas pernas, palidez causada por anemia e sintomas urêmicos — provocados pelo acúmulo de toxinas no organismo — que podem gerar náuseas, insônia durante a noite e sonolência ao longo do dia.
Segundo a especialista, a melhor forma de evitar que a doença evolua para diálise ou transplante é descobrir o problema ainda no início. “Eu quero que o paciente chegue dizendo: ‘eu estou bem, não sinto nada, mas meu exame deu alterado’. É nesse momento que consigo agir de forma mais assertiva para evitar a progressão da doença”, afirma.
Exames simples ajudam no diagnóstico
Para identificar precocemente alterações nos rins, são necessários dois exames básicos: dosagem de creatinina no sangue e exame de urina.
“Você consegue fazer isso em qualquer laboratório. São exames simples, disponíveis no SUS e de baixo custo”, destaca a médica. Caso algum resultado apresente alteração, a orientação é procurar um nefrologista para avaliação especializada.
Com o diagnóstico antecipado, é possível ajustar medicações, orientar sobre riscos — como o uso excessivo de anti-inflamatórios — além de incentivar atividade física e mudanças na alimentação, medidas que ajudam a retardar a progressão da doença renal.
A médica também ressalta que houve avanços no tratamento nos últimos anos. “Nos últimos dez anos passamos de um para quatro medicamentos que ajudam nesses casos. Melhorou bastante, mas só conseguimos agir se houver diagnóstico”, reforça.
Ações no Dia Mundial do Rim
As orientações fizeram parte de uma ação realizada em alusão ao Dia Mundial do Rim, celebrado na última quinta-feira (12). A atividade foi organizada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sems) em parceria com a Clínica do Rim, equipes da Atenção Primária, acadêmicos de Nutrição da Unigran e alunos dos cursos técnicos de enfermagem e análises clínicas do Senac.
Durante a ação, realizada na Praça Antônio João, em Dourados, foram avaliadas pessoas com fatores de risco para doença renal, principalmente histórico familiar, hipertensão e diabetes.
Entre as 7h e 11h, a população teve acesso a medição de pressão arterial, testes de glicemia, tipagem sanguínea e coleta de exame de creatinina. Para os casos em que houve indicação de maior risco, foram solicitados exames complementares para investigação precoce.
Relatos de quem busca prevenção
Uma das participantes foi Miriam Ângela Nascimento, de 60 anos, que procurou orientação após descobrir diabetes há quatro anos.
“Eu passei mal e fiquei nove dias internada na UTI. Foi quando descobri que estava com diabetes. Desde então faço tratamento e tomo insulina. O rim eu tive três crises há uns dois anos, mas agora está normal”, contou.
Já Cintia Raiane Veiga de Moraes, de 30 anos, participou da ação motivada pelo histórico familiar.
“Eu vim pela prevenção. Minha avó tem obesidade, pressão alta e faz hemodiálise há sete anos. É sempre muito desgastante para quem acompanha e, principalmente, para ela. Ninguém quer passar por isso, então o melhor é prevenir”, relatou.
Tratamentos enquanto se aguarda transplante
A hemodiálise é o tratamento mais utilizado para pacientes com insuficiência renal avançada. O procedimento utiliza uma máquina externa para filtrar o sangue e precisa ser realizado periodicamente em uma unidade de saúde.
Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, cerca de 90% dos tratamentos no país são feitos por hemodiálise, seguida pela hemodiafiltração e pela diálise peritoneal, que pode ser realizada em casa.
Em Dourados, atualmente 252 pessoas realizam algum tipo de diálise. Esses tratamentos são realizados enquanto os pacientes aguardam um transplante de rim.
No Estado, a fila de transplante é composta principalmente por pessoas entre 50 e 64 anos (93 pacientes), seguida pela faixa de 35 a 49 anos (75), 18 a 34 anos (37) e mais de 65 anos (32).
Somente neste ano já foram realizados 16 transplantes de rim em Mato Grosso do Sul. Em comparação, foram 21 procedimentos em 2025 e 28 em 2024.
Especialistas reforçam que, diante da evolução silenciosa da doença renal, a prevenção e a realização periódica de exames simples são fundamentais para evitar que mais pessoas precisem entrar na fila por um transplante.
Por: Redação - Jornal A Princesinha News


