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SES investiga caso suspeito de hantavirose em Mato Grosso do Sul após paciente dar entrada com suspeita de leptospirose

Ilustrativa

 

A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) informou nesta terça-feira (12) que investiga um caso suspeito de hantavirose no estado. Inicialmente, o paciente foi atendido com suspeita de leptospirose, mas, conforme o protocolo de vigilância epidemiológica, exames para outras doenças com sintomas semelhantes também foram solicitados. A conclusão da investigação pode levar até 60 dias. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre sexo, idade ou estado clínico do paciente.

Segundo dados da SES, Mato Grosso do Sul não registra casos confirmados de hantavirose desde 2019. Nos últimos 11 anos, o estado notificou 107 casos suspeitos, dos quais apenas sete foram confirmados. Campo Grande registrou três confirmações entre 2015 e 2019, enquanto Corumbá contabilizou quatro casos em 2017.

A hantavirose é uma doença transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas por urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. Em situações mais raras, marsupiais e morcegos também podem estar associados à transmissão. A doença ocorre em todo o país, mas apresenta maior concentração de casos nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente em áreas rurais e entre trabalhadores ligados à agricultura ou à limpeza de depósitos, silos e galpões.

Os primeiros sintomas costumam ser inespecíficos, incluindo febre, dores musculares, dor nas costas, dor abdominal, cansaço intenso, dor de cabeça e alterações gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Esse quadro inicial pode durar de um a seis dias, podendo chegar a duas semanas. O surgimento de tosse seca é considerado um sinal de alerta para evolução grave da doença, que pode comprometer os pulmões e o sistema cardiovascular.

Nos casos mais graves, o paciente pode apresentar dificuldade respiratória, queda da pressão arterial, acúmulo de líquido nos pulmões e até comprometimento da circulação sanguínea, exigindo atendimento imediato em unidade de terapia intensiva (UTI). Também pode haver comprometimento renal, geralmente leve ou moderado.

O diagnóstico é realizado por exames laboratoriais específicos, principalmente sorológicos, disponibilizados pelo Ministério da Saúde. O fluxo de investigação envolve notificação do caso suspeito ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), coleta de dados clínicos e epidemiológicos pelas vigilâncias municipais e acompanhamento da Gerência de Zoonoses da SES até o encerramento da investigação.

Atualmente, não existe tratamento antiviral específico para a hantavirose. O atendimento é baseado em suporte clínico, com medidas como oxigenação, suporte respiratório, controle da pressão arterial e, em alguns casos, hemodiálise.

Para prevenir a doença, as autoridades de saúde recomendam evitar acúmulo de lixo e entulho, armazenar alimentos e grãos em recipientes fechados e realizar a limpeza de ambientes fechados apenas após ventilação mínima de 30 minutos. Também é orientado evitar varrer locais com sinais de roedores, utilizando pano úmido e produtos desinfetantes durante a higienização.

O Ministério da Saúde informou ainda que não há evidências de transmissão de hantavirose entre pessoas no Brasil. Os casos raros de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile estão relacionados ao genótipo Andes, variante que não circula em território brasileiro.


Por: Redação

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