ÚLTIMAS
---
A Princesinha News - Aquidauana - Mato Grosso do Sul


Redpill, Incels e “Machosfera”: entenda os termos usados por grupos que disseminam ódio contra mulheres

Agência Brasil 
Há décadas, grupos de homens atuam em fóruns da internet, redes sociais e outros canais digitais para estimular discursos de superioridade masculina e hostilidade contra mulheres. Especialistas alertam que esses ambientes virtuais funcionam como espaços de radicalização, capazes de incentivar atitudes violentas no mundo real, como casos recentes de violência sexual registrados no país.

Pesquisadores e ativistas classificam esses movimentos como parte de um fenômeno estrutural conhecido como misoginia, que representa o ódio contra mulheres e a defesa da manutenção de privilégios históricos — sociais, culturais, econômicos e políticos — para os homens.

Segundo estudiosos do tema, essas comunidades utilizam códigos e expressões próprias para compartilhar ideias e reforçar suas narrativas. Como estratégia de contra-ataque ao feminismo, muitos desses grupos recorrem ao termo “misandria”, alegando existir um suposto movimento de ódio contra homens. Também afirmam que leis de proteção às mulheres e o feminismo seriam mecanismos de enfraquecimento da masculinidade.

Em oposição ao feminismo — que defende igualdade de direitos e oportunidades — esses grupos adotam o chamado masculinismo, conjunto de ideologias que defende uma “masculinidade tradicional”, com papéis e direitos diferenciados entre homens e mulheres.

Ataques virtuais e reação da Justiça

A feminista e ativista Lola Aronovich convive com ataques misóginos na internet desde 2008, quando criou o blog Escreva Lola Escreva. A mobilização gerada pelo caso resultou na prisão de um dos agressores e contribuiu para a criação da Lei nº 13.642/2018, que atribui à Polícia Federal a responsabilidade de investigar crimes misóginos praticados na internet.

Segundo a ativista, os agressores costumam apresentar perfis semelhantes.

De acordo com Lola, muitos deles são homens heterossexuais ligados a grupos de extrema direita e que também reproduzem outros tipos de preconceito.

“Não são apenas machistas. São também racistas, homofóbicos, gordofóbicos, xenófobos e capacitistas”, afirma.

Principais grupos e comunidades

Entre os espaços e movimentos mais citados por especialistas estão:

Machosfera: termo que reúne fóruns, canais de vídeo, grupos de mensagens e perfis nas redes sociais voltados à defesa da chamada masculinidade tradicional e à oposição aos direitos das mulheres.

Chans: fóruns anônimos que frequentemente abrigam discursos extremistas, vazamento de imagens íntimas e campanhas coordenadas de ataques virtuais contra mulheres.

Incels: abreviação em inglês de involuntary celibates (celibatários involuntários). São homens que afirmam não conseguir relacionamentos afetivos ou sexuais e atribuem isso às mulheres ou à sociedade.

Redpill: inspirado no filme Matrix, o termo é usado por homens que dizem ter “despertado” para uma suposta realidade na qual mulheres manipulariam os homens. Defendem que os homens devem retomar o controle das relações e manter as mulheres em posição submissa.

MGTOW (Men Going Their Own Way): grupo que prega o afastamento total de relacionamentos com mulheres, alegando que as leis e a sociedade moderna seriam injustas com os homens.

Pick Up Artists (PUA): homens que utilizam técnicas de sedução e manipulação psicológica para conquistar mulheres, tratando-as como troféus ou objetos.

Tradwife: mulheres que defendem a retomada de papéis tradicionais de gênero, com dedicação exclusiva ao lar e submissão ao marido.

Hierarquias e arquétipos criados pelos grupos

Dentro dessas comunidades, também surgiram classificações e estereótipos que estabelecem hierarquias sociais entre homens e mulheres.

Blackpill: corrente que defende que o destino de um homem seria determinado apenas por sua genética, como aparência física, altura ou estrutura corporal.

Bluepill: termo pejorativo usado para descrever homens que acreditam na igualdade de gênero ou defendem relações saudáveis entre homens e mulheres.

Chad: figura idealizada do homem considerado geneticamente perfeito, atraente e desejado por todas as mulheres.

Alfa: representação do homem dominante, líder, forte, bem-sucedido financeiramente e sexualmente atraente.

Beta: homem visto como comum, cooperativo e sem dominância social, frequentemente ridicularizado nesses grupos.

Sigma: personagem popular nas redes sociais descrito como um “alfa solitário”, que rejeita validação social e se concentra apenas em si mesmo.

Stacy: contraparte feminina do “Chad”, representando mulheres consideradas extremamente atraentes e de alto status.

Becky: termo usado para mulheres consideradas de aparência comum, posicionadas abaixo da “Stacy” na hierarquia criada por essas comunidades.

White Knight (cavaleiro branco): expressão usada de forma ofensiva para descrever homens que defendem mulheres ou causas feministas, acusados nesses grupos de buscar atenção feminina.

Gírias e conceitos utilizados

Além dos arquétipos, esses grupos utilizam expressões e teorias próprias para reforçar suas crenças.

80/20: teoria pseudocientífica que afirma que 80% das mulheres disputariam apenas 20% dos homens considerados mais atraentes ou ricos.

Hipergamia: crença de que mulheres sempre buscariam parceiros com maior status social ou financeiro.

AWALT: sigla para “All Women Are Like That” (todas as mulheres são assim), usada para generalizar comportamentos femininos.

Femoids ou FHOs: termos ofensivos que tratam mulheres como seres inferiores ou subumanos.

“Depósito”: gíria utilizada em fóruns misóginos para reduzir mulheres a objetos voltados ao prazer sexual masculino.

Especialistas alertam que a popularização dessas ideias nas redes sociais pode contribuir para a normalização do discurso de ódio e para o aumento da violência de gênero, principalmente quando essas comunidades incentivam a desumanização das mulheres e a radicalização de seus membros.


Por: Redação - Jornal A Princesinha News 

Postar um comentário