Gianni e Cavala: eleição “mais fácil que tomar doce de criança” pode embaralhar política de MS
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| Contraponto Ms |
Entre a devoção bolsonarista de Gianni Nogueira e o fenômeno eleitoral de Isa Cavala, Dourados pode lançar duas candidaturas improváveis ao Senado e à Câmara Federal, mexendo com o tabuleiro dos caciques tradicionais da política sul-mato-grossense.
Se a política fosse uma ópera bufa — e muitas vezes parece ser — o enredo que começa a se desenhar em Dourados teria todos os ingredientes de uma comédia eleitoral de primeira linha: personagens improváveis, padrinhos barulhentos, marketing emocional e aquela eterna sensação de que, desta vez, a vitória virá fácil, quase como quem “toma doce de criança”.
De um lado está Gianni Nogueira, vice-prefeita de Dourados e uma das figuras que mais se apresentam como representantes fiéis do bolsonarismo em Mato Grosso do Sul. Do outro, a vereadora Isa Marcondes, conhecida como Isa Cavala, que virou fenômeno eleitoral ao afirmar durante a campanha que entendia de “zona” o suficiente para ajudar a resolver os problemas da cidade.
Gianni aposta na força do bolsonarismo
Marinheira de primeira viagem em disputas majoritárias, Gianni já navega com vento favorável entre setores da direita. Além da atuação como vice-prefeita, ela carrega um ativo político considerado valioso dentro desse campo: a proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que para parte do eleitorado funciona como um selo de autenticidade ideológica.
Nos bastidores, aliados veem Gianni como uma possível representante do eleitorado bolsonarista mais fiel no Estado. Há quem diga, em tom meio jocoso e meio estratégico, que bastaria montar uma tenda em frente à Papuda, em Brasília, erguer um púlpito improvisado e realizar cultos diários em oração pelo destino político do “mito”. Em tempos de política movida por símbolos e emoções, a promessa de lutar no Senado por pautas caras ao movimento, como a anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro, poderia mobilizar a militância.
Adversários classificam essa estratégia como marketing barato, mas admitem que ela pode funcionar. Na política altamente emocional que domina o cenário atual, identificação ideológica muitas vezes pesa mais que experiência administrativa.
Disputa interna no PL complica planos
O caminho de Gianni, no entanto, não é tão simples. O PL, principal abrigo do bolsonarismo, virou uma espécie de avenida congestionada em Mato Grosso do Sul. A filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja e o anúncio da pré-candidatura do deputado Marcos Polon ao Senado criaram uma disputa interna pela vaga.
Diante desse cenário, a vice-prefeita já começa a avaliar uma mudança estratégica de partido. O destino cogitado seria o NOVO, legenda menor, mas que poderia oferecer algo raro no atual ambiente político: espaço livre para uma candidatura competitiva. Em política, muitas vezes ter pista livre vale mais do que integrar um avião lotado.
Caso a migração se confirme, Gianni pode se transformar em mais um daqueles fenômenos curiosos da política brasileira: candidaturas que crescem não apenas pela estrutura partidária, mas pela capacidade de mobilizar uma base ideológica altamente engajada.
Paralelo com Soraya Thronicke
Nos bastidores, alguns observadores fazem um paralelo com o que ocorreu nas eleições de 2018, quando a então pouco conhecida Soraya Thronicke acabou eleita senadora em Mato Grosso do Sul na esteira da vitória de Jair Bolsonaro.
A comparação reforça a percepção de que, em disputas para o Senado, candidaturas consideradas improváveis podem ganhar força rapidamente quando conseguem capturar o espírito de um momento político.
Isa Cavala mira Brasília
Enquanto isso, do outro lado do palco político douradense surge uma personagem já consagrada no folclore eleitoral da cidade: a vereadora Isa Marcondes, a Isa Cavala.
Mais votada na última eleição municipal em Dourados, ela transformou o estilo direto, frases de impacto e presença pública sem filtros em marca registrada. Agora, setores da política estadual começam a cogitar algo maior: uma candidatura à Câmara dos Deputados.
Nos bastidores, o entusiasmo em torno da ideia tem uma explicação pragmática. Veteranos da Assembleia Legislativa — alguns com oito, dez ou mais mandatos — prefeririam enfrentar praticamente qualquer outro adversário antes de correr o risco de ver uma “Cavala douradense galopando pelo pasto do Guaicurus”, sede do Legislativo estadual.
A solução, na visão de alguns estrategistas, seria empurrar a vereadora para a disputa federal e deixar que a corrida se resolva em Brasília.
Estilo irreverente que virou marca
A aposta seria repetir, em escala maior, a fórmula que a transformou em fenômeno eleitoral em Dourados. Durante a campanha municipal, Isa costumava resumir sua visão da política local com uma frase que acabou virando slogan:
“Dizem que Dourados está uma zona — e de zona eu entendo.”
O eleitor riu da franqueza, gostou da ousadia e respondeu nas urnas, garantindo quase três mil votos à vereadora.
Se a eventual candidatura a deputada federal avançar, a metáfora pode ganhar dimensão nacional. Afinal, o ambiente político de Brasília frequentemente oferece material abundante para comparações desse tipo, em meio a escândalos e disputas que dominam o noticiário político.
Caciques acompanham cenário com atenção
Enquanto os nomes improváveis ganham espaço nas conversas de bastidores, os candidatos tradicionais observam o tabuleiro com cautela. Lideranças como Reinaldo Azambuja, Nelsinho Trad, Vander Loubet e outros nomes de peso sabem que eleições para o Senado em Mato Grosso do Sul raramente seguem o roteiro previsto no início da campanha.
A história política do Estado registra surpresas marcantes. Dois dos maiores nomes da política regional, Rachid Saldanha Dérzi e Pedro Pedrossian, já enfrentaram derrotas em disputas que pareciam praticamente decididas.
Por essas bandas, a eleição para o Senado costuma reservar ironias. Quando muitos acreditam que a corrida terminou, o eleitor ainda está apenas começando a escolher a próxima zebra.
Por: Redação - Jornal A Princesinha News


