Ações contra violência à mulher prendem 138 pessoas em Mato Grosso do Sul
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| Correio do estado |
Operações nacionais de combate à violência contra mulheres e meninas resultaram na prisão de 138 pessoas em Mato Grosso do Sul nas últimas semanas. As detenções ocorreram durante duas grandes mobilizações coordenadas pelo Governo Federal e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), com o objetivo de localizar agressores, cumprir mandados judiciais e reforçar a proteção às vítimas.
No estado, 121 prisões ocorreram durante a Operação Mulher Segura, realizada entre os dias 19 de fevereiro e 5 de março, em parceria com as secretarias estaduais de segurança pública. Já a Operação Alerta Lilás II, conduzida pela PRF entre 9 de fevereiro e 5 de março, resultou na prisão de outras 17 pessoas com mandados relacionados a crimes de violência contra mulheres.
As duas ações integram o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, iniciativa que reúne esforços do Executivo, Legislativo e Judiciário para prevenir a violência de gênero, fortalecer a rede de proteção às vítimas e responsabilizar agressores.
Mais de 5 mil presos no país
Em todo o Brasil, as operações resultaram na prisão de 5.238 suspeitos por crimes ligados à violência de gênero.
Na Operação Mulher Segura, foram registradas 4.936 detenções, sendo 3.199 em flagrante e 1.737 em cumprimento de mandados judiciais. Já a Operação Alerta Lilás II levou à prisão de 302 pessoas, também entre flagrantes e ordens judiciais.
Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), a Operação Mulher Segura mobilizou 38.564 agentes de segurança em 26 unidades da federação — com exceção do Paraná, que já realizava uma operação semelhante no mesmo período.
Durante 15 dias de ações, foram utilizadas 14.796 viaturas em 2.050 municípios brasileiros. No período, as equipes realizaram mais de 42 mil diligências, acompanharam 18.002 medidas protetivas de urgência e prestaram atendimento a 24.337 vítimas.
Ações de prevenção e investimento
Além das operações policiais, também foram promovidas 1.802 campanhas de conscientização, que alcançaram cerca de 2,2 milhões de pessoas em todo o país.
Para reforçar o efetivo empregado nas ações, o Ministério da Justiça destinou aproximadamente R$ 2,6 milhões para o pagamento de diárias de policiais. A mobilização também integra o Projeto VIPS – Vulnerabilizados Institucionalmente Protegidos e Seguros, voltado à proteção de grupos em situação de vulnerabilidade.
Paralelamente, a Polícia Rodoviária Federal intensificou ações de inteligência e fiscalização nas rodovias federais durante a Operação Alerta Lilás II, considerada pela corporação a maior mobilização da história da instituição voltada à proteção de mulheres.
De acordo com a PRF, 39,4% das ocorrências tiveram participação direta de atividades de inteligência, enquanto os demais casos foram registrados em flagrantes realizados por equipes operacionais.
As operações também fazem parte do plano de trabalho do Comitê Interinstitucional de Gestão do Pacto Brasil para Enfrentamento do Feminicídio, que prevê mutirões nacionais para cumprimento de mandados de prisão contra agressores, fortalecimento da rede de atendimento às vítimas e maior integração entre órgãos de segurança e justiça.
Feminicídios preocupam em Mato Grosso do Sul
Apesar das ações de repressão e prevenção, Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário preocupante de violência contra mulheres. Entre 16 de janeiro e 6 de março, seis mulheres foram assassinadas em diferentes municípios do estado, na maioria dos casos por companheiros, ex-companheiros ou familiares.
O caso mais recente ocorreu em Anastácio, onde Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi encontrada morta dentro de casa. O marido, Edson Campos Delgado, inicialmente afirmou ter encontrado a esposa sem vida, mas depois confessou que a asfixiou.
Também no dia 6 de março, morreu Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, que estava internada após ser agredida com golpes de marreta pelo marido, em Três Lagoas.
Dias antes, em 25 de fevereiro, a jovem Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi assassinada pelo namorado, também em Três Lagoas. O suspeito procurou a polícia após o crime e confessou o feminicídio.
Em 22 de fevereiro, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi morta a facadas em Coxim. O principal suspeito é o filho da vítima, de 22 anos.
Já em 24 de janeiro, a aposentada Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi morta a pauladas pelo marido em Corumbá. O crime foi presenciado por um vizinho que tentou intervir, mas não conseguiu impedir as agressões.
O primeiro feminicídio do ano ocorreu em 16 de janeiro, na aldeia Damakue, em Bela Vista, onde Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros pelo marido, que depois tirou a própria vida.
Por: Redação - Jornal A Princesinha News


