Fúria ou surto? Mulher que destruiu o próprio muro e agrediu vizinha pode passar por avaliação no CAPS
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Caso que chocou o bairro Vila Adrien levanta debate sobre saúde mental e violência comunitária
O que parecia ser apenas mais uma briga de vizinhança terminou com uma mulher presa, uma jovem ferida e um questionamento que vai além da esfera criminal: trata-se de fúria ou de um possível surto psicótico? O caso, ocorrido na manhã de terça-feira (24), na Rua Armindo Leite, no bairro Vila Adrien, ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (25). A agressora, de 37 anos, poderá ser submetida a avaliação psiquiátrica no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Maracaju.
“Não era uma briga comum. Ela parecia estar em outro mundo. Derrubou o próprio muro como se estivesse combatendo um inimigo invisível”, relatou um morador que preferiu não se identificar.
O dia da fúria
Eram aproximadamente 8h40 quando a Polícia Militar foi acionada via 190. Segundo informações repassadas à guarnição, uma mulher estaria em visível estado de alteração, tentando danificar o portão de uma residência vizinha.
Ao chegar ao local, os policiais constataram que a autora havia derrubado parte do muro de sua própria casa utilizando pés de cabra e marretas. Em seguida, invadiu o imóvel vizinho, passando a desferir chutes e arremessar tijolos contra a porta da residência, numa tentativa de arrancá-la.
Durante a ação, a moradora acionou a polícia. Conforme relato, ao perceber que a viatura havia sido chamada, a mulher ainda tentou investir contra uma vizinha idosa que estava no quintal. Uma jovem de 19 anos interveio para proteger a vítima e acabou sendo atingida na perna direita por um pedaço de tijolo arremessado pela agressora, sofrendo um hematoma de aproximadamente 10 centímetros.
Após a agressão, a autora fugiu, tomando rumo ignorado. Com informações sobre sua possível localização, a equipe policial realizou diligências e a encontrou em um estabelecimento comercial nas proximidades. Durante a abordagem, ela confessou os fatos, mas apresentava discurso confuso e oscilação de humor.
Diante da situação, foi dada voz de prisão, e a mulher foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil para as providências cabíveis. Ela não apresentava lesões aparentes. Foi necessário o uso de algemas, conforme prevê a legislação, em razão do estado de alteração e agressividade, a fim de resguardar a integridade física da própria conduzida, da equipe policial e de terceiros.
Inicialmente, ela poderá responder por lesão corporal, dano ao patrimônio e invasão de domicílio.
Saúde mental em pauta
Durante os depoimentos, familiares e vizinhos trouxeram informações que podem alterar os rumos do caso. A possibilidade de avaliação no CAPS passou a ser considerada pelas autoridades.
O Centro de Atenção Psicossocial é um serviço do SUS voltado ao acolhimento e tratamento de pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, incluindo casos relacionados ao uso de substâncias psicoativas. Em Maracaju, a unidade oferece acompanhamento médico, psicológico e social em regime intensivo, semi-intensivo e não intensivo.
Especialistas ouvidos pela reportagem alertam para a crescente relação entre conflitos de vizinhança e transtornos mentais não diagnosticados ou mal acompanhados. Segundo eles, a ausência de tratamento adequado pode potencializar episódios de agressividade e descontrole.
A vítima e a comunidade
A jovem de 19 anos atingida pelo tijolo se recupera em casa. Apesar de o hematoma ainda causar dor, ela afirma que o maior impacto foi emocional. O medo e a tensão permanecem.
No bairro Vila Adrien, os sinais da destruição ainda são visíveis. Parte do muro derrubado continua espalhada pelo chão, e a porta da residência invadida permanece marcada por chutes e impactos.
“A gente nunca sabe o que se passa na cabeça do outro. Hoje pode ser ela, amanhã pode ser qualquer um de nós. O que falta é cuidado, é atenção. Se tivesse tido antes, talvez nada disso tivesse acontecido”, refletiu um vizinho.
Enquanto a investigação segue, a comunidade tenta retomar a rotina, mas admite que a confiança entre vizinhos ficou abalada — e que o episódio deixou uma pergunta no ar: até que ponto o caso é crime, e até que ponto é um pedido de socorro silencioso?
Por: Redação - Jornal A Princesinha News


