França contabiliza prejuízos e enfrenta novas tensões após onda de protestos violentos contra o custo de vida
10:27
UOL
A França contabiliza os expressivos prejuízos materiais e financeiros decorrentes de uma série de protestos violentos que tomaram conta de diversas cidades do país, culminando em novos confrontos e atos de vandalismo no último fim de semana. As manifestações, iniciadas inicialmente por movimentos estudantis contra a precariedade das escolas e a escassez de professores nos subúrbios, ganharam corpo e se transformaram em um descontentamento social generalizado contra o alto custo de vida, a inflação e as políticas de corte de gastos do governo do presidente Emmanuel Macron.
O cenário de agitação atingiu um pico crítico no sábado, mobilizando mais de meio milhão de pessoas em marchas por todo o território francês. Embora a maioria dos manifestantes tenha protestado pacificamente, grupos marginais e extremistas aproveitaram a mobilização para depredar o patrimônio público e privado, resultando em centenas de estabelecimentos comerciais saqueados ou danificados incluindo dezenas de unidades de grandes redes varejistas, além de veículos incendiados e ataques diretos a forças de segurança. Em Limoges, no sudoeste do país, a prefeitura histórica de 143 anos foi alvo de um incêndio criminoso que destruiu grande parte da estrutura, gerando forte comoção local.
A intensidade dos atos exigiu uma resposta rigorosa das autoridades de segurança interna. O balanço oficial divulgado pelo Ministério do Interior apontou mais de duas mil prisões efetuadas em todo o país e mais de 600 policiais feridos durante as ações de contenção e dispersão de tumultos. Além da violência nas ruas, os protestos registraram tragédias humanas, incluindo a morte de um manifestante que sofreu uma parada cardíaca durante os distúrbios na capital, Paris.
A onda de violência e o impacto econômico imediato elevaram a pressão política sobre a administração central, a menos de um ano das eleições presidenciais previstas para o próximo ano. Enquanto lideranças da oposição criticam duramente a gestão da segurança pública e cobram mudanças profundas na condução econômica do país, ministros de Estado prometeram pacotes de apoio financeiro e de reestruturação para auxiliar os empresários e municípios afetados pelos danos, reforçando que os responsáveis pelos atos de vandalismo serão punidos judicialmente.
Por: Redação
