Operação em múltiplos estados mira grupo extremista por morte de menor em MS
07:32
Midia Max
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou, nesta terça-feira (15), a segunda fase da Operação Lívia para cumprir seis mandados de internação e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal contra seis adolescentes investigados por integrar uma rede extremista virtual.
O grupo recrutava especificamente meninas em situação de vulnerabilidade para funcionarem como "escravas virtuais" em plataformas como Discord e Telegram, onde eram forçadas a cumprir tarefas sob a premissa descrita pela delegada do caso de que “entre as tarefas dadas, elas tinham de se automutilar e deixar os nomes dos ‘donos’ no próprio corpo”.
A autoridade policial destacou ainda a frieza dos envolvidos, ressaltando que “são adolescentes de todas as classes sociais; aparentemente, meninos comuns, tranquilos, mas que eram terrivelmente frios e as famílias não tinham noção do que ocorria”, frisando que quanto mais violentos os atos, mais fama eles alcançavam nas redes sociais.
A ação é desdobramento da investigação sobre a morte de uma jovem de 13 anos, ocorrida em 22 de julho em Naviraí, quando a vítima foi encontrada morta pela mãe e pelo padrasto por volta das 6h da manhã, após ser induzida a matar quatro gatos e posteriormente coagida a tirar a própria vida durante uma chamada ao vivo de 45 minutos no Discord, tragédia comemorada pelos suspeitos em mensagens que circularam nas redes como “Tropinha, isso é oq acontece quando demora tanto pra fazer a p**** de um lulz, o próximo será possivelmente um homicídio…”. possivelmente um homicídio…”.
Durante as buscas da operação, que resultaram na apreensão de armas, materiais de apologia ao neonazismo e conteúdos de abuso sexual infantil, a Polícia Civil confirmou que os envolvidos responderão por organização criminosa, lesão corporal, homicídio por coação e maus-tratos a animais, enquanto o governo federal e órgãos de controle impuseram medidas à plataforma Discord, exigindo representação legal no Brasil, integração ao Ligue 180 e protocolos para conter o assédio digital.