Oficina Águia de Ouro: o legado de um pai que continua vivo pelas mãos do filho em Aquidauana
Hoje, o Jornal A Princesinha News foi até um dos lugares mais antigos e tradicionais de Aquidauana: a Oficina Águia de Ouro. Mas, por trás das paredes, dos carros e das ferramentas, existe uma história que vai muito além da mecânica.
É uma história de família, trabalho, aprendizado e, principalmente, de um legado que continua vivo.
Foi no local que conhecemos Milton, atual responsável pela oficina e homem que carrega consigo décadas de histórias ao lado de seu pai, José Delpique, o fundador original do estabelecimento.
E talvez um dos detalhes mais impressionantes dessa história esteja justamente na própria construção da oficina.
A Águia de Ouro não foi simplesmente comprada ou construída por uma empresa. Ela nasceu do esforço da própria família.
Milton se uniu ao pai, José, para levantar as paredes da oficina. Já seu avô ficou responsável por toda a estrutura de madeira do teto, ajudando a construir o telhado.
Assim, três gerações trabalharam juntas para colocar de pé cada parte daquele espaço.
Parede por parede, madeira por madeira, ferramenta por ferramenta, a oficina foi tomando forma. E aquilo que começou como um espaço de trabalho acabou se tornando parte da história da família.
José não queria apenas ensinar Milton a consertar carros. Queria ensinar o filho a ser um homem trabalhador, honesto e responsável. Desde jovem, Milton aprendeu o ofício ao lado do pai.
O trabalho dos dois foi crescendo e, com o tempo, a parceria entre pai e filho também se tornou uma das maiores lembranças guardadas por Milton.
Uma dessas histórias envolve o primeiro carro que ganhou do pai.
Quando tinha apenas 18 anos, Milton recebeu de José uma picape. O veículo ajudou o jovem a trabalhar e também marcou uma nova etapa na vida dos dois. Mas a história não terminou ali.
Em determinado momento, Milton vendeu a picape porque tinha um sonho: comprar um Opala.
Ele encontrou um veículo que gostava, mas não tinha dinheiro suficiente para pagar todo o valor.
Foi então que entrou em cena novamente o pai.
José, conhecido pela capacidade de conversar e pela amizade que cultivava com as pessoas, conseguiu negociar com o proprietário e viabilizar a compra do carro para o filho.
O Opala acabou se tornando muito mais do que um automóvel.
Hoje, Milton trabalha para restaurar justamente aquele veículo, mantendo viva uma lembrança de seu pai e de uma época que marcou profundamente sua vida.
Infelizmente, José Delpicchia faleceu há cerca de seis anos. Antes disso, carregava outro grande sonho: conseguir comprar sua própria chácara e criar suas vacas.
Com o passar dos anos, porém, a idade e os acontecimentos da vida foram tornando o trabalho cada vez mais difícil.
Após sofrer um acidente durante um serviço, José acabou ficando desanimado e passou a enfrentar dificuldades. Posteriormente, sofreu dois AVCs, um deles após o acidente e outro algum tempo depois.
Mesmo assim, deixou para o filho aquilo que talvez tenha sido seu maior patrimônio: o conhecimento, os valores e a oficina construída pela família.
Atualmente, Milton conduz a oficina sozinho. O trabalho continua, as ferramentas continuam no lugar e os carros continuam chegando. Mas agora existe algo diferente.
A Oficina Águia de Ouro não representa apenas uma fonte de renda. Ela se transformou em uma espécie de memorial vivo de uma família que passou grande parte da vida trabalhando junta.
Cada parede construída por Milton e José, cada parte do telhado feita pelo avô, cada ferramenta e cada lembrança carregam um pedaço daquela história. E talvez seja justamente isso que torne a Águia de Ouro tão especial.
Para quem passa pela oficina, pode parecer apenas mais uma mecânica. Para Milton, porém, aquele lugar representa uma vida inteira de trabalho, carros, histórias, dificuldades, risadas e momentos vividos ao lado de seu pai. Hoje, ele segue trabalhando com o mesmo esforço que aprendeu quando ainda era jovem.
E embora José não esteja mais presente para acompanhar o filho, Milton continua mantendo de pé aquilo que os dois construíram juntos.
Porque alguns legados não são deixados em cofres, contas bancárias ou grandes propriedades.
Alguns são deixados em paredes levantadas pelas próprias mãos, em histórias que nunca são esquecidas e em uma profissão ensinada de pai para filho.
A Oficina Águia de Ouro permanece aberta — e, junto dela, permanece viva uma parte da história de José Delpicchia e de sua família em Aquidauana.
O A Princesinha News esteve no local e registrou essa história que mostra que, para algumas famílias, trabalhar também significa preservar memórias.
Por: Redação







