Lula usa discurso na ONU para abordar Pix, escala 6x1 e eleições brasileiras
Presidente falou sobre soberania, democracia, combate ao crime organizado e pautas presentes na campanha à reeleição durante pronunciamento em Nova York
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou o discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22), em Nova York, para abordar temas internacionais e também pautas que estão presentes na campanha eleitoral brasileira.
A 12 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, Lula falou por cerca de 20 minutos e citou assuntos como defesa do Pix, fim da escala 6x1, combate ao crime organizado, distribuição de renda, violência contra a mulher, vacinação e defesa da democracia. A avaliação de bastidores publicada pela CNN Brasil é de que o pronunciamento também serviu para enviar mensagens ao eleitorado brasileiro durante a reta final da campanha.
Um dos principais pontos do discurso foi a defesa da soberania nacional. Sem citar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula criticou o que chamou de interferências externas em processos eleitorais.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou o presidente, ao defender relações internacionais baseadas em cooperação e respeito à autonomia dos países.
Lula também afirmou que a democracia estaria novamente sob ameaça de interferências externas e relacionou o tema à necessidade de garantir que os brasileiros decidam seus próprios representantes nas eleições.
Entre os assuntos nacionais mencionados, Lula defendeu a manutenção do Pix como instrumento estratégico do país e criticou possíveis interesses externos relacionados ao sistema de pagamentos.
O presidente também voltou a defender o fim da escala de trabalho 6x1, pauta que vem sendo discutida no Congresso Nacional e incorporada à campanha eleitoral.
Além disso, Lula falou sobre distribuição de renda, geração de empregos e medidas voltadas à melhoria das condições de vida dos trabalhadores.
Outro tema abordado foi o combate às organizações criminosas. Lula afirmou que o Brasil pretende enfrentar o problema internamente, mas defendeu a cooperação internacional para combater principalmente o fluxo de armas e recursos financeiros destinados ao crime.
O presidente também rejeitou a necessidade de intervenções militares estrangeiras em território brasileiro e defendeu ações coordenadas entre os países.
Na parte final do pronunciamento, Lula mencionou diretamente as eleições brasileiras. Segundo ele, os eleitores decidirão, em outubro, os rumos do país e deverão escolher entre projetos políticos distintos.
O presidente também afirmou que o sistema eleitoral brasileiro é capaz de garantir a expressão da vontade popular e criticou o que chamou de campanhas de desinformação e possíveis interferências externas.
A fala ocorre em meio à disputa pela Presidência da República e a poucos dias do primeiro turno. Lula é candidato à reeleição pelo PT.
O discurso também abordou questões internacionais, como os conflitos armados, a atuação da própria ONU, mudanças climáticas, inteligência artificial e a situação no Oriente Médio.
Por: Redação