A tradição de uma profissão que atravessa gerações
Quem passa pela região próxima ao bairro Santa Terezinha, em Aquidauana, pode encontrar uma pequena sapataria comandada por um morador que carrega consigo décadas de histórias vividas no campo.
Aos 60 anos, Antônio Gonçalves dos Santos nasceu em Nioaque, mas vive em Aquidauana há 36 anos. Antes de se tornar sapateiro, sua vida era completamente ligada às fazendas. Durante anos, trabalhou como campeiro, atividade que, segundo ele, sempre foi uma de suas grandes paixões.
Durante um dos trabalhos na região de Bodoquena, porém, Antônio sofreu um grave acidente e ficou incapacitado para continuar exercendo a profissão. Com isso, precisou deixar justamente o trabalho que tanto amava.
Depois de se afastar da vida no campo, Antônio decidiu buscar uma nova atividade para continuar trabalhando e manter a mente ocupada. Foi então que resolveu montar seu próprio negócio.
Há cerca de três anos, ele mantém a sapataria e trabalha diariamente com o conserto e a recuperação de diferentes tipos de calçados.
Sapatos, botas, botinas, coturnos e outros tipos de calçados que muitas vezes seriam descartados ganham uma nova oportunidade pelas mãos de seu Antônio, que utiliza ferramentas e experiência para recuperar as peças e deixá-las novamente prontas para o uso.
Quem parar para conversar com Antônio também pode ouvir algumas das muitas histórias acumuladas durante os anos em que viveu e trabalhou nas fazendas da região. A nova profissão acabou se tornando uma maneira encontrada por ele para continuar ativo e, ao mesmo tempo, manter viva parte da rotina de trabalho que marcou sua vida.
Muito antes da facilidade de simplesmente comprar um calçado novo, a sapataria fazia parte da rotina de muitas famílias. Sapateiros eram procurados para trocar solados, costurar, remendar e recuperar sapatos, botas e outros calçados, prolongando a vida útil das peças.
Com o passar dos anos e as mudanças nos hábitos de consumo, esse trabalho tradicional acabou ficando cada vez menos comum. Mesmo assim, profissionais como seu Antônio ajudam a manter viva essa antiga tradição, baseada no trabalho manual, na paciência e na experiência adquirida ao longo dos anos.
Em Aquidauana, a pequena sapataria também representa uma história de recomeço. Depois de décadas dedicadas ao campo e de um acidente que mudou sua trajetória, seu Antônio encontrou nas ferramentas, nas linhas e nos calçados uma nova maneira de seguir trabalhando.
Hoje, entre consertos e histórias, ele mantém viva não apenas a própria profissão, mas também um pouco da tradição dos antigos sapateiros que fizeram parte da vida de tantas comunidades.
Por: Redação