Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de mama avançado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (21), o registro do Etcamah (camizestranto), um novo medicamento oral destinado ao tratamento de pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático.
A aprovação contempla casos específicos da doença: tumores positivos para receptor de estrogênio (ER+) e negativos para HER2 (HER2-) que desenvolveram uma mutação no gene ESR1 durante o tratamento de primeira linha com terapia endócrina associada a um inibidor de CDK4/6 por pelo menos seis meses. O medicamento é indicado para pacientes que ainda não apresentam sinais de progressão radiológica ou clínica da doença.
Como o medicamento funciona?
O camizestranto pertence a uma nova geração de medicamentos chamados degradadores seletivos do receptor de estrogênio (SERDs). A substância atua diretamente sobre o receptor de estrogênio presente nas células tumorais.
O medicamento bloqueia a ação desse receptor e promove sua degradação. Dessa forma, busca reduzir o estímulo hormonal que contribui para o crescimento de determinados tumores de mama.
A estratégia é especialmente relevante nos casos em que surge a mutação ESR1, alteração genética que pode aparecer durante o tratamento hormonal e estar relacionada à resistência a terapias endócrinas.
Um dos aspectos da aprovação é a possibilidade de utilização do medicamento em pacientes que apresentam a mutação ESR1, mas ainda não demonstram progressão radiológica ou clínica do câncer.
Segundo a Anvisa, essa característica permite uma alternativa terapêutica direcionada para um grupo específico de pacientes com doença avançada ou metastática.
O Etcamah será administrado por via oral. A aprovação da Anvisa autoriza a comercialização do medicamento no Brasil para a indicação estabelecida pela agência.
O que é a mutação ESR1?
O gene ESR1 está relacionado ao receptor de estrogênio. Em alguns casos de câncer de mama, alterações nesse gene podem surgir ao longo do tratamento e modificar a resposta do tumor às terapias hormonais.
Por isso, a identificação da mutação pode ajudar a equipe médica a definir estratégias de tratamento mais direcionadas para cada paciente.
A indicação do camizestranto, entretanto, depende das características moleculares do tumor e do histórico de tratamento. A aprovação não significa que o medicamento seja indicado para todos os pacientes com câncer de mama.
Câncer de mama no Brasil:
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no país. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) citados pela Anvisa, foram estimados 73.610 casos no Brasil entre 2023 e 2025, correspondendo a 30,1% dos cânceres diagnosticados na população feminina.
O tratamento varia conforme o tipo de tumor, o estágio da doença e as características biológicas de cada paciente. Podem ser utilizadas estratégias como cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapias direcionadas.
A aprovação do Etcamah acrescenta uma nova opção terapêutica para um grupo específico de pacientes com câncer de mama avançado ou metastático e mutação no gene ESR1.
Por: Redação