Escolinhas de futebol ensinam crianças a combater violência contra a mulher
10:27
CNN
O futebol, além de ensinar a chutar, passar e marcar, também pode ser utilizado como ferramenta de educação e prevenção da violência contra a mulher. Escolinhas de futebol estão desenvolvendo atividades com crianças, pais e responsáveis para trabalhar temas como respeito, controle da raiva, frustração, afeto e resolução de conflitos sem o uso da violência.
A iniciativa ganha ainda mais importância diante de um dado preocupante: um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou aumento de 28,8% nos registros de lesão corporal decorrente de violência doméstica contra mulheres em dias de jogos de futebol. Os registros de ameaça também cresceram 27,4% nessas datas.
A proposta é aproveitar o ambiente esportivo para ensinar, desde cedo, que sentimentos como raiva e frustração podem ser expressados de outras maneiras.
Nas atividades, crianças e familiares participam de dinâmicas voltadas à comunicação, criação de vínculos e reconhecimento das emoções. A ideia é mostrar que controlar uma reação agressiva é apenas parte do processo: também é preciso aprender formas saudáveis de comunicar aquilo que se está sentindo.
Uma das iniciativas citadas pela reportagem é realizada pela Ronaldo Academy, ligada ao ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Pais e filhos participam de exercícios de conexão, incluindo momentos de abraço e atividades em que ficam frente a frente para trocar elogios e reconhecer qualidades uns nos outros.
Segundo Roberto Joaquim, CEO da academia, não basta simplesmente pedir que um menino não seja agressivo. O objetivo é ensinar alternativas à agressão e desenvolver habilidades socioemocionais desde a infância.
O estudo analisou mais de 308 mil registros policiais realizados entre 2023 e 2025 em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre, cruzando os dados com partidas de futebol disputadas nessas cidades. Os pesquisadores ressaltam que os números não permitem afirmar que o futebol seja a causa da violência, mas identificam uma associação consistente entre dias de jogos e o aumento dos registros.
Dentro das residências, o levantamento apontou aumento de 35,1% nas agressões e de 26,8% nas ameaças contra mulheres nos dias de partidas. Entre mulheres de 15 a 29 anos, o crescimento das ameaças dentro de casa chegou a 47,3%.
Diante desse cenário, o esporte também passa a ser visto como parte da resposta. A proposta é que clubes, escolinhas, torcidas, federações e poder público utilizem o alcance do futebol para promover respeito, igualdade e prevenção da violência, fazendo com que o aprendizado ultrapasse as quatro linhas e chegue também às famílias.
Por: Redação

