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Eleição começa morna, mas alianças inesperadas podem esquentar disputa em Mato Grosso do Sul

Investiga MS

 


A corrida eleitoral em Mato Grosso do Sul começou em ritmo considerado morno, mas o cenário político deste ano reúne mudanças e alianças que podem surpreender os eleitores ao longo da campanha.

Depois de anos marcados por disputas acirradas, especialmente entre grupos que estiveram em lados opostos nas eleições anteriores, antigos adversários agora aparecem juntos em palanques e campanhas. Na política, como mostra o atual cenário, o adversário de hoje pode se tornar o aliado de amanhã.

Um dos exemplos mais emblemáticos envolve três nomes que tiveram papéis importantes na eleição para o Governo de Mato Grosso do Sul em 2022: Capitão Contar, Eduardo Riedel e Reinaldo Azambuja.

Em 2022, Contar disputou o Governo pelo PL após exercer um mandato marcado pela oposição ao grupo comandado por Reinaldo Azambuja. Naquele período, chegou a defender o impeachment do então governador.

Apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Contar avançou ao segundo turno contra Riedel e apresentou sua candidatura como uma alternativa ao grupo político que havia comandado o Estado durante oito anos.

Naquela campanha, Contar também contou com o apoio do então deputado estadual João Henrique Catan, que atualmente está no Novo.

De adversários a aliados

Quatro anos depois, o cenário mudou completamente.

Reinaldo Azambuja assumiu o comando do PL, enquanto Contar passou a integrar o grupo político que apoia Eduardo Riedel. A expectativa é que ele seja escolhido para disputar uma das vagas ao Senado.

A mudança coloca antigos adversários no mesmo palanque. Contar, que em 2022 fazia fortes críticas ao grupo governista, atualmente pede votos para Riedel e disputa espaço político contra João Henrique Catan, que agora se apresenta novamente como uma opção contrária ao chamado “sistema”.

A mudança de posicionamento chegou ao ponto de Contar pedir desculpas a prefeitos por ter concorrido contra o grupo político na eleição anterior e pelas críticas feitas durante a campanha.

PT também mudou de lado

Outra transformação envolve o PT.

No segundo turno de 2022, Eduardo Riedel recebeu apoio do Partido dos Trabalhadores, liderado no Estado por nomes como Vander Loubet e Zeca do PT. O partido também integrou a base de sustentação do governo durante parte da gestão.

Agora, a relação mudou e o PT está no campo de oposição.

Vander Loubet esperava contar com o apoio de Riedel para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para sua própria disputa ao Senado. A aproximação de Riedel com Jair Bolsonaro e a falta de uma composição política fizeram o PT optar pela oposição.

Outro Trad no caminho

A disputa também ganhou um elemento familiar.

Marquinhos Trad, pelo PSD, foi adversário de Riedel na eleição de 2022. Agora, o governador terá novamente um integrante da família Trad no campo adversário, mas desta vez pelo PT.

Fábio Trad, conhecido por sua atuação política no Estado e integrante da mesma família, se filiou ao Partido dos Trabalhadores e disputa o Governo de Mato Grosso do Sul.

Fábio apoiou Lula no segundo turno da eleição presidencial de 2022 e posteriormente passou a integrar o grupo político ligado ao partido.

Campanha ainda não esquentou

Apesar das mudanças e das alianças que podem parecer improváveis para quem acompanha a política apenas durante o período eleitoral, a campanha começou de maneira relativamente discreta em Mato Grosso do Sul.

A expectativa é de que a disputa ganhe intensidade com o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, além dos debates entre os candidatos.

Nesta quinta-feira, os candidatos participam de um debate promovido pela Capital FM, das 7h às 9h. Eduardo Riedel ainda não confirmou presença. O governador informou anteriormente que pretende participar de apenas dois debates durante o primeiro turno, ambos previstos para a segunda quinzena de setembro.

Com diferentes grupos políticos trocando de posição e antigos adversários dividindo o mesmo palanque, a tendência é que a disputa pelo Governo e pelo Senado fique mais intensa nas próximas semanas.


Por: Redação

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