CBIC alerta que fim da escala 6x1 pode elevar custos e atrasar obras
A possível aprovação do fim da escala 6x1 preocupa o setor da construção civil. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a mudança poderá provocar aumento dos custos, dificuldades para encontrar mão de obra e atrasos na execução de obras.
O alerta foi feito por Eduardo Aroeira, presidente da entidade, que avaliou os possíveis impactos da proposta caso ela seja aprovada nos moldes em que saiu da Câmara dos Deputados.
De acordo com Aroeira, a redução da jornada exigiria a contratação imediata de mais de 300 mil trabalhadores para que o setor consiga manter o atual ritmo de produção.
A preocupação ocorre em um momento em que a construção civil já enfrenta escassez de mão de obra, o que poderia dificultar ainda mais a reposição dos profissionais necessários para compensar a redução das horas trabalhadas.
A CBIC já havia apresentado estimativas semelhantes ao longo do ano. Em estudo anterior, a entidade calculou que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderia exigir aproximadamente 288 mil novos trabalhadores para manter o nível atual de produção.
Outro ponto de preocupação é o aumento do custo da mão de obra. Com menos horas trabalhadas e manutenção dos salários, o custo de cada hora trabalhada tende a aumentar.
Segundo levantamento da CBIC, 88,5% das empresas consultadas apontaram possibilidade de aumento do custo da mão de obra. Já 84,6% acreditam que a mudança poderia elevar o custo final dos empreendimentos, enquanto 81,6% apontaram possíveis impactos nos prazos das obras.
A entidade também calcula que o encarecimento poderá acabar chegando ao consumidor, inclusive por meio dos preços dos imóveis.
Para a CBIC, o efeito da mudança não ficaria restrito aos trabalhadores e empresas. O aumento dos custos poderia afetar diretamente o preço dos imóveis e dificultar o acesso de famílias à moradia, inclusive em programas habitacionais.
A preocupação é especialmente relevante para empreendimentos que trabalham com margens mais apertadas e dependem de cronogramas rígidos de execução.
A discussão sobre o fim da escala 6x1, entretanto, continua avançando no Congresso. A proposta prevê mudanças na jornada de trabalho e tem provocado debates entre representantes dos trabalhadores, empresários e parlamentares.
Enquanto defensores da medida destacam a possibilidade de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, entidades empresariais defendem uma transição que considere os impactos sobre custos, produtividade, contratação e prazo de execução das obras.
Por: Redação

