Brasil está entre 16 países que concentram 80% dos casos de doenças tropicais negligenciadas
O Brasil está entre os 16 países que concentram 80% dos casos de doenças tropicais negligenciadas (DTNs) no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentados pelo Ministério da Saúde.
A informação foi divulgada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, realizado em Brasília.
Entre as doenças monitoradas estão malária, doença de Chagas, leishmanioses, hanseníase, tuberculose, esquistossomose, tracoma, oncocercose, filariose linfática e raiva humana, entre outras.
O governo federal criou o Programa Brasil Saudável, que estabeleceu como objetivo eliminar, até 2030, um conjunto de doenças e infecções consideradas prioritárias.
Ao todo, 209 municípios brasileiros foram classificados como prioritários devido à alta concentração de casos.
Apesar do cenário, o Ministério da Saúde apresentou resultados considerados positivos no balanço de 2025. O país registrou a menor taxa de casos de malária dos últimos 48 anos, enquanto os casos da doença na Terra Indígena Yanomami caíram mais de 50%.
Na hanseníase, 81,3% dos municípios brasileiros estão há cinco anos consecutivos sem registrar novos casos em pessoas com menos de 15 anos.
Na tuberculose, a utilização do teste rápido molecular aumentou significativamente, passando de 4,3% para 63%.
Outro avanço ocorreu no combate à oncocercose, conhecida como “cegueira dos rios” ou “mal do garimpeiro”. A cobertura do tratamento coletivo chegou a 85,4% em 2025, ante 68% anteriormente.
O Ministério da Saúde também destacou que o Brasil já recebeu a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV e busca reconhecimento internacional pela eliminação da transmissão de hepatite B de mãe para filho.
A sífilis congênita, porém, continua sendo apontada como a principal pendência nesse processo.
O cenário mostra que, apesar dos avanços registrados pelo país, o enfrentamento das doenças tropicais negligenciadas continua sendo um dos desafios da saúde pública brasileira, especialmente nos municípios que concentram maior número de casos.
Por: Redação

