Apreensões de canetas emagrecedoras em MS chegam a R$ 6 milhões e acendem alerta na fronteira
As apreensões de canetas emagrecedoras em Mato Grosso do Sul dispararam em 2026, segundo dados da Receita Federal. Até o dia 13 de julho, as autoridades já haviam apreendido R$ 5,9 milhões em medicamentos no Estado, valor quase quatro vezes superior aos R$ 1,5 milhão registrados durante todo o ano de 2025.
O crescimento chama atenção principalmente pela localização estratégica de Mato Grosso do Sul, que possui uma extensa faixa de fronteira com o Paraguai e se tornou uma das principais rotas de entrada de produtos comercializados irregularmente no país.
Somente nos primeiros meses de 2026, o valor das apreensões já ultrapassou em aproximadamente R$ 4,4 milhões todo o montante registrado no ano passado.
A situação acompanha uma tendência observada em outras regiões do Brasil. No primeiro semestre de 2026, a Receita Federal apreendeu mais de R$ 80 milhões em canetas emagrecedoras em todo o país, contra cerca de R$ 4 milhões no mesmo período de 2025.
O aumento da procura por medicamentos para emagrecimento, aliado à busca por versões mais baratas comercializadas no Paraguai, vem preocupando as autoridades.
Em Mato Grosso do Sul, o problema ganha uma dimensão ainda maior devido à proximidade com o Paraguai.
Medicamentos que entram no Brasil sem registro ou autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não podem ser comercializados legalmente no país.
Durante fiscalizações, agentes já encontraram canetas escondidas em diferentes compartimentos de veículos. Em uma das apreensões realizadas pela Receita Federal, os produtos estavam escondidos dentro do acabamento interno da porta de um automóvel.
Além do transporte terrestre, as autoridades também identificaram crescimento da comercialização irregular pela internet, incluindo marketplaces e vendedores que não possuem autorização para comercializar medicamentos.
O alerta das autoridades não está apenas relacionado ao contrabando, mas também à procedência e às condições de armazenamento dos produtos.
Quando um medicamento entra irregularmente no país, não existem as mesmas garantias de controle sanitário, conservação, origem e autenticidade oferecidas por produtos comercializados através de canais autorizados.
A preocupação aumenta especialmente no caso de medicamentos que dependem de condições específicas de armazenamento para manter suas características.
Diante do crescimento das apreensões, Brasil e Paraguai passaram a intensificar a cooperação no combate à entrada e à comercialização irregular desses medicamentos.
A Anvisa e a Dinavia, órgão responsável pela vigilância sanitária paraguaia, firmaram acordo para ampliar a troca de informações e fortalecer ações de fiscalização na região de fronteira.
A parceria também prevê compartilhamento de resultados de análises laboratoriais e cooperação no combate à falsificação e ao contrabando de medicamentos.
Enquanto as autoridades intensificam o combate aos produtos irregulares, o mercado legal também vem recebendo novas opções. Em julho, a Anvisa aprovou cinco novas canetas à base de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema, além dos primeiros registros de medicamentos genéricos com a substância.
O cenário mostra que o avanço da procura por medicamentos para emagrecimento também trouxe um novo desafio para as autoridades de fiscalização, principalmente em estados de fronteira como Mato Grosso do Sul, onde o fluxo de pessoas e mercadorias entre Brasil e Paraguai torna o combate ao comércio irregular ainda mais complexo.
Por: Redação
