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Flávio Bolsonaro vai aos EUA para defender o PIX e critica o governo Lula

Ilustrativa: Gazeta do Povo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (3) que vai aos Estados Unidos para defender o PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil. Segundo ele, a viagem ocorre porque considera que o governo atual não está protegendo os interesses do país e que Lula estaria “se lixando” para as empresas brasileiras.

Flávio afirma que o PIX é “do Brasil”, foi criado na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e funciona sem impostos. Ele diz que quer ir aos EUA para defender o sistema, já que, na visão dele, o governo americano está interessado na tarifação de produtos brasileiros. Em mensagem enviada ao USTR (Escritório dos Representantes de Comércio dos EUA), o senador diz que o PIX não substitui cartões de crédito e sugere que ele não esteja conectado a sistemas não ocidentais.

Na quinta-feira (2), Flávio pediu que os EUA adiassem por 180 dias a aplicação de tarifas contra o Brasil, solicitando que as taxas de 25% só entrassem após as eleições. Para ele, as avaliações prejudicam os investimentos americanos no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu forte: afirmou que o Brasil “não está à venda” e classificou o pedido como “atitude de traidores da pátria”. Lula diz que a possibilidade de novas tarifas tem origem nas articulações da família Bolsonaro, especialmente de Eduardo Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro tem atuado em temas internacionais de forma independente, sem ligação com o Itamaraty. Ele se reuniu recentemente com o presidente dos EUA, Donald Trump, e com o secretário de Estado Marco Rubio para tratar das tarifas. Na carta enviada ao USTR, o senador diz que o PIX é infraestrutura pública soberana, não empresa comercial, e que a alegação de conflito de interesses é exagerada, comparando ao FedNow, sistema instantâneo do banco central americano.

Na próxima semana, o senador participará de uma audiência pública do USTR sobre as tarifas propostas pelo governo de Trump para produtos brasileiros. Ele está confirmado para falar no dia 7 de julho. A investigação, feita sob a “Seção 301” da Lei de Comércio de 1974, analisa práticas do Brasil relacionadas ao comércio digital (PIX), tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento. Com base nisso, o USTR propôs novas tarifas que podem entrar em vigor já neste mês.

O governo de Lula também invejou a resposta à investigação dos EUA. No documento assinado pelo ministro Mauro Vieira, o Brasil afirma que o USTR não comprovou que atos, políticas ou práticas brasileiras sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio americano. Tanto a carta do governo quanto a de Flávio foram entregues no último dia de prazo para manifestações sobre a proposta de tributação.





Por: Redação
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