Dr. Jairinho é condenado a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel; mãe do menino recebe perdão judicial
![]() |
| Reprodução |
O ex-vereador do Rio de Janeiro, Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do enteado Henry Borel, de apenas 4 anos. A sentença foi proferida durante a madrugada desta quinta-feira (4), após um julgamento que durou mais de uma semana e mobilizou a atenção de todo o país.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021. Pouco mais de um mês depois, em abril daquele ano, Jairinho e a mãe da criança, Monique Medeiros, foram presos durante as investigações do caso.
O julgamento teve início no último dia 25 e contou com depoimentos de peritos, policiais, médicos, familiares e pessoas ligadas aos réus. Os interrogatórios de Jairinho e Monique ocorreram na última terça-feira (2).
De acordo com a decisão do Conselho de Sentença, Jairinho foi considerado culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A pena total fixada foi de 43 anos, 9 meses e 20 dias de reclusão.
Ao justificar a condenação, a juíza Elizabeth Machado Louro fez duras observações sobre a conduta do ex-vereador. Segundo a magistrada, Jairinho demonstrou uma “personalidade insidiosa, perfeitamente apta ao engano e à dissimulação”. A juíza também destacou a condição de extrema vulnerabilidade da vítima, afirmando que Henry foi submetido a sofrimento físico e psicológico incompatível com sua idade.
Já em relação à mãe da criança, o Conselho de Sentença entendeu que não houve homicídio doloso. Os jurados reconheceram que Monique agiu com negligência, desclassificando a acusação para homicídio culposo.
Diante desse entendimento, a Justiça concedeu perdão judicial a Monique pelo crime relacionado à morte do filho. No entanto, ela foi condenada a 1 ano e 4 meses de prisão por omissão diante das torturas sofridas por Henry.
Ao fundamentar a decisão, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que Monique enfrentou, ao longo dos últimos cinco anos, uma reação social considerada desproporcional e marcada por questões de gênero.
A magistrada chegou a declarar que, em situação semelhante, um pai provavelmente não teria sido tratado da mesma forma. “Fosse o pai e não a mãe, na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado”, afirmou durante a leitura da sentença.
O caso Henry Borel teve grande repercussão nacional desde 2021 e se tornou um dos episódios criminais mais acompanhados pela opinião pública brasileira. A condenação de Jairinho encerra uma das etapas mais importantes do processo judicial, embora ainda caibam recursos às partes envolvidas.
Por: Redação

