Moradora de MS doa medula óssea 13 anos após cadastro e ajuda a salvar vida
![]() |
| Dourados News |
Um cadastro feito ainda na juventude acabou se transformando, anos depois, na chance real de salvar uma vida. Aos 31 anos, Renata Rodrigues, moradora de Mato Grosso do Sul, foi chamada para realizar a doação de medula óssea após ser identificada como compatível com um paciente que precisava de transplante.
A convocação foi feita pelo Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). O transplante, destinado a um paciente brasileiro, foi realizado no dia 28 de outubro de 2025. O cadastro de Renata havia sido feito 13 anos antes, durante uma campanha realizada em Ribas do Rio Pardo.
O convite para integrar o Redome surgiu quando ela ainda participava de campanhas de doação de sangue promovidas pelo Rotary, grupo de doadores voluntários no município. Assim que atingiu o peso mínimo exigido, começou a doar sangue.
“Eu tinha 17 anos quando consegui doar sangue pela primeira vez”, lembra.
Pouco tempo depois, ela decidiu também se cadastrar como doadora de medula óssea, embora tenha tido dúvidas no início.
“Perguntei se doía. Me explicaram que ali era apenas o cadastro e que a chance de compatibilidade era rara, mas que, se acontecesse, entrariam em contato”, contou.
Ela autorizou o registro dos dados e seguiu a vida normalmente. Durante todos esses anos, nunca mudou de telefone nem de endereço.
O telefonema inesperado
No ano passado, Renata recebeu uma mensagem perguntando se poderia ir até Campo Grande para realizar exames por suspeita de compatibilidade com um paciente. Naquele momento, ainda não havia garantia de que a doação seria necessária.
Após a coleta de sangue, veio a espera. O prazo informado era de até 180 dias para a resposta final. Cerca de 175 dias depois, chegou a confirmação da compatibilidade. Questionada se desejava continuar com o processo, ela não pensou duas vezes.
“Eu disse sim na hora”, afirmou.
Mãe de Liz, de 7 anos, e Leonardo, que na época tinha 1 ano e 7 meses, ela precisou reorganizar toda a rotina familiar para permanecer vários dias fora de casa.
“Não hesitei, mas logo pensei: como vai funcionar? Tenho duas crianças pequenas”, disse.
Como funciona a doação
Renata foi encaminhada para São Paulo, onde passou por exames complementares e recebeu orientações médicas. Os profissionais explicaram as duas formas possíveis de doação: a punção na região da bacia ou a coleta por aférese, método indicado para o caso dela.
Na doação por aférese, o doador recebe medicação por alguns dias para aumentar o número de células-tronco no sangue. Em seguida, o sangue é coletado por uma máquina que separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.
Todo o procedimento é realizado em um centro especializado e custeado pelo Redome, Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde. Renata permaneceu cerca de seis horas conectada ao equipamento.
“Eles explicam tudo com muita clareza. Me senti segura o tempo todo”, relatou.
Desafios longe de casa
Ao todo, foram nove dias em São Paulo. O período longe da família foi o momento mais difícil durante todo o processo.
“Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. Eu já não amamentava, mas o apego é muito forte. Mas eu sabia que era por uma causa valiosa”, disse.
Havia ainda a possibilidade de uma segunda coleta, caso a quantidade de células não fosse suficiente. Quando recebeu a confirmação de que a primeira doação havia atendido à necessidade do paciente, a emoção tomou conta.
“Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei. Foi uma emoção muito grande”, contou.
Anonimato e esperança
Pelas regras do sistema de transplantes, o doador não recebe informações detalhadas sobre quem recebeu a medula. Renata sabe apenas que o paciente é brasileiro.
“A gente pensa na pessoa que está do outro lado, esperando. Eu espero que esteja bem, que tenha saúde. Que isso tenha sido um recomeço”, afirmou.
Ao final do processo, ela recebeu uma camiseta simbólica de doadora de medula óssea, lembrança que guarda com carinho.
“É uma experiência única. Vou lembrar para sempre com muito carinho”, disse.
Incentivo à doação
De volta à rotina na loja de roupas infantis em Ribas do Rio Pardo, Renata decidiu compartilhar sua história para incentivar outras pessoas a se tornarem doadoras.
“Doem sangue. Se cadastrem como doadores de medula óssea. É algo que pode mudar completamente a vida de alguém”, destacou.
Como se tornar doador de medula óssea
A medula óssea é responsável pela produção das células do sangue, e o transplante é indicado para pacientes com doenças que afetam essas células.
Para se cadastrar como doador voluntário é necessário:
Ter entre 18 e 35 anos e 9 meses
Não ter doença infecciosa ou incapacitante
Não apresentar doenças neoplásicas, hematológicas ou do sistema imunológico
Quando há compatibilidade com um paciente, o Redome entra em contato com o doador e todo o procedimento é custeado pelo Redome, INCA e Ministério da Saúde.
Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser feito nas unidades da rede Hemosul em Campo Grande e em cidades do interior do Estado.
Segundo a chefe do Setor de Captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, dados mais recentes do Redome indicam que somente em 2024 sete moradores de Mato Grosso do Sul efetivaram a doação de medula óssea.
“Ao longo dos anos, mais de 100 doadores do nosso Estado já foram compatíveis com pacientes e realizaram a doação, tanto para pessoas no Brasil quanto no exterior”, explicou.
Atualmente, o Estado soma 197.502 cadastros de doadores voluntários registrados entre 2001 e 2025.
“Cada novo cadastro representa uma possibilidade concreta de compatibilidade para quem aguarda um transplante. Por isso, é fundamental manter telefone e endereço sempre atualizados”, reforçou.
Por: Redação - Jornal A Princesinha News


