Chikungunya Avança em MS após epidemia no Paraguai e acende alerta em Dourados e região
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| Clara Medeiros |
A escalada de casos de chikungunya em Mato Grosso do Sul, que já resultou em quatro mortes na Reserva Indígena de Dourados, está diretamente ligada ao avanço da doença registrado desde 2023, ano em que o Paraguai enfrentou a pior epidemia de sua história, com 138,7 mil infectados, conforme dados da Organização Pan-Americana da Saúde.
De acordo com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Danielle Galindo Martins Tebet, o crescimento dos casos era esperado. “Como não havia circulação anterior do vírus, a população não tinha imunidade. Então, o aumento segue uma tendência natural, principalmente sem o controle efetivo do vetor”, explicou.
Ela ressalta que, ao atravessar a fronteira, o vírus encontrou um cenário favorável no Estado, já que havia grande რაოდენidade do mosquito Aedes aegypti, responsável também pela transmissão da dengue. “É o mesmo vetor, então era previsível que houvesse incidência de chikungunya”, afirmou.
A SES mantém monitoramento constante das arboviroses, com reuniões quinzenais e apoio direto aos municípios com maior incidência. Em casos mais críticos, equipes são enviadas para reforçar o atendimento e coordenar ações de controle.
Escalada dos casos preocupa autoridades
Os dados epidemiológicos mostram o avanço da doença ao longo dos anos. Em 2022, foram registrados 237 casos. Em 2023, o número saltou para 1,3 mil.
Em 2024, houve uma leve redução, com 919 casos confirmados, embora 11 municípios tenham apresentado alta incidência e outros 23 índices médios.
Já em 2025, o cenário se agravou significativamente, com 7,6 mil infectados e 17 mortes em Mato Grosso do Sul. Além disso, 43 municípios registraram alta incidência e 22 apresentaram nível médio de contágio.
Em 2026, a situação segue preocupante. Até a 9ª semana epidemiológica, já são 1,1 mil casos confirmados e quatro mortes — todas de indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados. O pico da doença costuma ocorrer entre a 13ª e a 14ª semana.
Segundo a coordenadora, o alerta é para todo o Estado. “A chikungunya não é um problema apenas da Grande Dourados, ela está se espalhando. E como ainda não temos vacina disponível, a prevenção é essencial”, destacou.
Desafios no controle e necessidade de conscientização
O combate ao mosquito depende, principalmente, da colaboração da população. A orientação é eliminar água parada em quintais e recipientes que possam servir de criadouro.
“É fundamental que cada morador faça sua parte. Muitos esperam a ação do agente de endemias, mas a responsabilidade pela limpeza do quintal é do próprio morador”, pontuou Danielle.
Nas aldeias indígenas, o principal desafio é o armazenamento de água em caixas e recipientes, prática comum devido à falta de rede de abastecimento, o que favorece a proliferação do mosquito.
Doença já atinge área urbana de Dourados
Embora haja maior concentração de casos nas aldeias, a doença já avançou para a área urbana de Dourados. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, dos cerca de 400 casos confirmados no município, ao menos metade é de moradores da cidade.
Diante do cenário, a prefeitura avalia decretar situação de emergência, em discussão com o Governo do Estado e o Governo Federal.
Desde quarta-feira (18), equipes da Força Nacional do Sistema Único de Saúde atuam na região, auxiliando no combate ao mosquito, na busca ativa de casos suspeitos — especialmente em áreas de difícil acesso — e na capacitação de profissionais de saúde.
Os atendimentos estão sendo realizados em um ambulatório itinerante instalado na Escola Municipal Indígena Tengatuí Marangatu, onde são oferecidas consultas, exames, medicação e encaminhamento de casos graves.
Sintomas e riscos da doença
Segundo o superintendente do Hospital Universitário da UFGD, Hermeto Paschoalick, a chikungunya pode causar dores intensas e prolongadas. “O quadro clássico envolve dor articular e muscular persistente. Entre 20% e 30% dos pacientes podem permanecer com sintomas por meses”, explicou.
Ele alerta ainda para casos mais graves, que podem afetar o cérebro, o coração e causar lesões de pele. “Com diagnóstico e tratamento adequados no início, é possível reduzir a evolução para quadros graves”, concluiu.
Por: Redação - Jornal A Princesinha News


