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Cirurgia de captação de órgãos em Dourados vai beneficiar três pacientes em MS e na Região Sul

Correio do estado 

O Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) realizou, no dia 4 de fevereiro, uma cirurgia de captação de órgãos que deve beneficiar três pacientes em Mato Grosso do Sul e na Região Sul do país. A doadora, de 44 anos, teve morte encefálica após permanecer internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o dia 27 de janeiro.

A cirurgia, a primeira desse tipo na unidade desde outubro de 2023, possibilitou a doação do fígado e dos rins. O fígado foi destinado a um paciente de Campo Grande que aguardava há bastante tempo na fila por um transplante. Já os rins foram disponibilizados pela Central Nacional de Transplantes para receptores no Rio Grande do Sul.

A psicóloga hospitalar Larissa Beatriz Andreatta, que atua na UTI do hospital, explicou que, após a confirmação da morte encefálica, a família foi acolhida e orientada sobre a possibilidade da doação. Neste caso, os familiares autorizaram o procedimento porque a paciente já havia manifestado, em vida, o desejo de ser doadora.

Segundo a coordenadora da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) do HU-UFGD/Ebserh, a enfermeira Ely Bueno da Silva Bispo, nem sempre a decisão é simples. “Ainda encontramos dificuldades, pois é um assunto pouco discutido em casa. Algumas famílias recusam a doação por desconhecer qual seria o desejo do paciente. Por isso, é fundamental avisar a família sobre o desejo de ser doador”, ressaltou.

A e-DOT acompanha todo o processo até a cirurgia, além de atuar na identificação e diagnóstico de potenciais doadores, notificação dos casos, acolhimento das famílias, capacitação de profissionais e ações de conscientização. O trabalho envolve uma ampla rede de profissionais, incluindo equipes das UTIs, integrantes das e-DOTs, a Organização de Procura de Órgãos — órgão executivo do Sistema Nacional de Transplantes — e as equipes responsáveis pela cirurgia de captação.

A captação durou cerca de três horas e foi realizada por uma equipe de Campo Grande, liderada pelo médico-cirurgião Gustavo Rapassi, com o apoio de um instrumentador cirúrgico e um residente em Medicina, além do suporte da estrutura hospitalar do HU-UFGD.

“Para qualquer modalidade de transplante, é fundamental que haja um doador. Temos tido surpresas boas e novas em Dourados nessa área, graças a todo esse trabalho em rede. Mesmo quando o órgão não é utilizado na região, ele é disponibilizado para receptores de outras partes do país”, destacou Rapassi.

A última captação de órgãos realizada no hospital ocorreu em outubro de 2023, quando a família de uma criança de três anos, vítima de afogamento, autorizou a doação. Na ocasião, os órgãos viáveis foram encaminhados para Minas Gerais, conforme a compatibilidade dos receptores.

Lista de espera preocupa no Estado

Dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), referentes ao primeiro semestre de 2025, apontam que 654 pacientes aguardam por um transplante em Mato Grosso do Sul, sendo 13 crianças. Entre janeiro e junho deste ano, 297 pessoas passaram a integrar a lista de espera no Estado.

No mesmo período, foram registradas 138 notificações de potenciais doadores. Desses casos, 77 famílias foram entrevistadas e 42 recusaram a doação.

A córnea é o órgão com maior número de pacientes na fila: 382 adultos e 12 crianças aguardam pelo procedimento. Em seguida aparecem os pacientes que necessitam de transplante de rim (241), fígado (16) e coração (3).

O relatório aponta que, no primeiro semestre, as taxas de doação e transplante cresceram menos do que o projetado. A taxa de efetivação da doação permanece em 27,3%, abaixo da meta de 32% prevista para 2025. Entre os principais entraves estão a alta taxa de não autorização familiar (45%) e as contraindicações médicas (18%).

MS se destaca em transplante de fígado

Apesar da estagnação na taxa de doação em nível nacional, Mato Grosso do Sul tem se destacado na realização de transplantes de fígado. Menos de um ano após o início dos procedimentos na rede pública estadual, o Estado ocupa a quarta posição no ranking nacional por milhão de habitantes.

Os transplantes hepáticos começaram a ser realizados em julho de 2024. Desde então, 45 cirurgias foram feitas no Hospital Adventista do Pênfigo, sob a responsabilidade do cirurgião Gustavo Rapassi e sua equipe.

Para a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo, a implantação do serviço representa um marco para a saúde sul-mato-grossense. “Em pouco tempo, conseguimos estruturar um serviço eficiente, com equipe especializada e suporte hospitalar adequado, oferecendo o procedimento dentro do próprio território e garantindo mais segurança e conforto aos pacientes”, afirmou.



Por: Redação - Jornal A Princesinha News 

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