Professores indígenas denunciam irregularidades em processo seletivo e cobram respostas em Porto Murtinho
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| Reprodução |
Professores e professoras indígenas do território Kadiwéu tornaram pública uma carta aberta denunciando uma série de irregularidades no Processo Seletivo nº 001/2026, realizado no município de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. O documento, encaminhado à sociedade, à imprensa e aos órgãos competentes, aponta indícios de injustiça, possível fraude e perseguição política no certame.
Segundo os denunciantes, o processo seletivo, que deveria obedecer rigorosamente aos princípios da legalidade, transparência e igualdade, apresentou falhas graves que teriam prejudicado diretamente candidatos indígenas do território Kadiwéu. Entre as principais queixas está a atribuição de pontuações consideradas incompatíveis com o que foi estabelecido no edital.
De acordo com a carta, professores indígenas com formação adequada, títulos devidamente comprovados e longo tempo de serviço receberam notas extremamente baixas — em alguns casos, limitadas a apenas cinco pontos — em total desacordo com os critérios divulgados oficialmente. Os profissionais afirmam ainda que toda a documentação exigida foi enviada corretamente, conforme as regras do próprio processo seletivo.
Outro ponto considerado alarmante é a ausência de resposta por parte do poder público. Conforme relatado, até o momento não houve qualquer manifestação oficial da Secretaria Municipal de Educação, comandada por Rita de Cássia Padilha, nem do prefeito Nelson Cintra (PSDB), mesmo após notificações formais e pedidos de esclarecimento. Para os professores, o silêncio das autoridades apenas reforça a gravidade da situação e o sentimento de desrespeito vivido pela categoria.
A denúncia se agrava com a informação de que nomes de pessoas sem a formação exigida estariam constando no resultado final do processo seletivo, o que, segundo os professores indígenas, fere a ética profissional, a legalidade do certame e compromete a dignidade da educação indígena no território Kadiwéu.
Na avaliação dos autores da carta, o problema vai além de casos individuais e atinge toda a estrutura da educação indígena, colocando em risco o direito a oportunidades justas e o reconhecimento da qualificação de profissionais que se dedicaram à formação e ao cumprimento rigoroso das exigências legais.
Diante da falta de respostas e da gravidade das denúncias, os professores afirmam que decidiram tornar pública a situação como forma de buscar justiça, transparência e reparação. No documento, eles demonstram confiança no papel da imprensa, dos órgãos fiscalizadores e da sociedade na apuração dos fatos e na responsabilização dos envolvidos.
A carta é finalizada com um posicionamento firme em defesa da dignidade profissional, da educação indígena e do respeito à legalidade, reforçando que não aceitarão que a política seja utilizada como instrumento de exclusão.
A reportagem ressalta que o espaço segue aberto para que a Prefeitura de Porto Murtinho, a Secretaria Municipal de Educação e os demais citados se manifestem oficialmente sobre as denúncias.
Por: Redação - Jornal A Princesinha News



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