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A Princesinha News - Aquidauana - Mato Grosso do Sul


Pecuarista é acusado de aplicar golpe de mais de R$ 8 milhões na compra de gado em MS

Ilustrativa 


A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul instaurou, no fim do mês passado, um inquérito para apurar um suposto esquema de fraudes que teria causado prejuízo superior a R$ 8 milhões a pecuaristas e empresas ligadas à cadeia produtiva do gado no Estado. A investigação é conduzida pela Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários) e apura possíveis crimes de estelionato, ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

O principal investigado é um homem de 33 anos, qualificado como pecuarista em processos judiciais. Ele não tem sido localizado por diversas vítimas nem por oficiais de Justiça, embora documentos apontem endereços vinculados a ele em um condomínio de alto padrão em Campo Grande, além de registros no Bairro Pioneiros, na Capital, e no interior do Estado, como no município de Aquidauana.

De acordo com as apurações, o suspeito atuava no mercado adquirindo gado em leilões, firmando parcerias com confinamentos, recebendo valores antecipados em negociações e celebrando contratos de criação de bovinos em sistema de parceria. As irregularidades teriam começado quando os compromissos financeiros assumidos nessas operações deixaram de ser cumpridos.

Conforme descrito em ações judiciais e nos relatos que embasam o inquérito policial, o esquema seguia um padrão. O pecuarista comprava animais utilizando cheques que posteriormente eram devolvidos por insuficiência de fundos, assinava confissões de dívida que não eram quitadas e recebia adiantamentos por gado que nunca era entregue. Em muitos casos, os mesmos animais eram revendidos para tentar cobrir dívidas anteriores, gerando um efeito cascata.

Nesse processo, o gado era mantido em confinamentos e boitéis, locais especializados na engorda e manejo dos animais, onde também se acumulavam débitos. No sistema de boitel, comum na pecuária, o proprietário do gado permanece responsável pelos custos e compromissos financeiros, mesmo com os animais sob os cuidados de terceiros.

Os fatos investigados ocorreram, em sua maioria, entre janeiro e maio de 2025, período em que diversas negociações teriam sido realizadas sem lastro financeiro. O maior prejuízo, segundo consta nos autos, recaiu sobre produtores rurais e empresas de confinamento.

Processos judiciais

Há diversas execuções de título extrajudicial e ações de cobrança em andamento, todas apontando inadimplência. Em um dos processos, referente ao descumprimento de um contrato de parceria para criação de gado bovino, o valor confessado da dívida chega a R$ 778.260,10. O montante deveria ser pago em seis parcelas mensais, entre junho e novembro de 2025, o que não ocorreu.

Outro caso envolve a execução de três cheques emitidos em março de 2025, que somam R$ 1.550.000,00. Apesar da promessa de pagamento direto em conta, houve apenas um repasse parcial de R$ 100 mil, e os cheques foram devolvidos por falta de fundos.

Também há processo relacionado a uma Cédula de Produto Rural (CPR) com liquidação financeira no valor de R$ 400 mil. O título previa pagamento em duas parcelas, sendo que apenas a primeira foi quitada, permanecendo em aberto a parcela com vencimento em abril de 2025.

Em outro episódio, o investigado arrematou um lote com 85 fêmeas em um leilão realizado em Campo Grande, pelo valor inicial de R$ 479.400,00. Os animais foram entregues com reserva de domínio, modalidade em que a propriedade só é transferida após o pagamento integral. Como o valor não foi quitado, a dívida, com juros, correção monetária e multa contratual, ultrapassa R$ 580 mil.

Investigação

Somados, os valores cobrados nas diferentes ações judiciais ultrapassam R$ 8 milhões, montante que também é acompanhado pela Dedfaz no âmbito do inquérito policial. A suspeita é de que o investigado tenha ocultado bens e movimentado recursos de forma a dificultar a recuperação dos prejuízos causados às vítimas.

A reportagem tentou contato com advogados que eventualmente representem o investigado nos processos em andamento, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

Outro lado

Em ações judiciais nas quais figura como autor, o pecuarista investigado alega que também foi vítima de prejuízos em parcerias firmadas para compra, confinamento e engorda de gado. Em uma dessas demandas, ele sustenta que enfrenta grave dificuldade financeira em razão da suposta falta de prestação de contas por parte de uma empresa parceira responsável pela gestão de valores, compra e venda de animais e repasses financeiros.

Segundo a versão apresentada, a ausência de informações, documentos e comprovantes teria provocado um efeito cascata, comprometendo sua capacidade de honrar compromissos com fornecedores e parceiros. Ele afirma que não teria recebido relatórios completos sobre operações realizadas em diferentes confinamentos, incluindo dados sobre valores repassados, mortes de animais, custos, resultados financeiros e eventuais perdas ou ganhos.

Em outra ação, relacionada a uma parceria mantida desde 2023, o investigado afirma ter entregue cerca de 2,5 mil cabeças de gado para confinamento e engorda e sustenta que parte dos animais teria sido retida indevidamente, sem comprovação de mortes, despesas ou autorização para compensações. Segundo a alegação, há suspeita de apropriação indevida e divergências quanto à destinação do gado, inclusive em situações envolvendo ordens judiciais, fatos que também foram registrados em boletim de ocorrência para resguardar seus direitos.
 


Por: Redação - Jornal A Princesinha News 

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