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Novo laudo aponta esquizofrenia e piora no quadro mental de Adélio Bispo

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Um novo laudo psiquiátrico concluiu que Adélio Bispo de Oliveira, autor do atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, apresenta esquizofrenia paranoide e teve agravamento significativo em seu estado de saúde mental. Preso desde o ano do crime na Penitenciária Federal de Campo Grande, Adélio segue custodiado como medida de segurança, por ser considerado inimputável pela Justiça.

A avaliação mais recente foi realizada em dezembro de 2025 por um perito oficial, que esteve no presídio da Capital sul-mato-grossense para aplicar testes e exames. O laudo, finalizado neste mês, aponta aumento das alucinações e maior comprometimento do senso de realidade. Até então, Adélio era diagnosticado com transtorno delirante persistente paranoide.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, entre as alucinações relatadas está a crença de que poderia se candidatar à Presidência da República, tendo a jornalista Patrícia Poeta como vice em sua chapa, ou, como segunda opção, o também jornalista William Bonner. Segundo os peritos, tais manifestações reforçam o diagnóstico de transtorno psicótico persistente, com exacerbação da autoestima delirante.

O documento destaca ainda que Adélio apresenta risco contínuo de periculosidade, não pode conviver em sociedade sem medidas de segurança e não possui perspectiva de melhora em ambiente prisional. Por isso, a recomendação técnica é de internação em hospital psiquiátrico de custódia. Os especialistas também apontaram que ele não reconhece a própria doença, não compreende a necessidade de tratamento e não mantém interação com outros internos.

O laudo foi encaminhado, de forma sigilosa, à 5ª Vara Criminal de Campo Grande. No entanto, pela ausência de vagas especializadas, Adélio deve permanecer na Penitenciária Federal de Campo Grande, considerada a mais estruturada do país para custodiar presos com transtornos mentais, embora não seja adequada para tratamento psiquiátrico.

Transferência negada

Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu a transferência de Adélio Bispo para Minas Gerais. O pedido havia sido feito pela Defensoria Pública da União (DPU), com base na Lei Antimanicomial e em resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que vedam a permanência de pessoas com transtornos mentais em presídios comuns.

A transferência acabou barrada por um conflito de competência entre varas federais. Enquanto a 5ª Vara Federal de Campo Grande entende que cabe à 3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG) providenciar o recebimento de Adélio, a Justiça mineira alegou falta de vagas em hospital de custódia e incapacidade das unidades médico-psiquiátricas penais locais. Diante do impasse, ele segue preso em Campo Grande.

O atentado contra Bolsonaro

O ataque ocorreu em 6 de setembro de 2018, durante um ato de campanha em Juiz de Fora (MG), quando Jair Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen enquanto era carregado por apoiadores. Adélio Bispo, então com 47 anos, foi preso em flagrante no mesmo dia e confessou o crime, afirmando à Polícia Federal que agiu sozinho e que teria sido motivado por ordem divina.

Indiciado por atentado pessoal por inconformismo político, crime previsto na extinta Lei de Segurança Nacional, Adélio foi transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande dois dias após o ataque. Em maio de 2019, laudos periciais oficiais concluíram que ele era inimputável, por ser portador de transtorno mental.

Em junho daquele ano, o juiz Bruno Savino, da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora, aplicou a chamada “absolvição imprópria”, convertendo a prisão em internação em manicômio judiciário por tempo indeterminado, diante da periculosidade do acusado. A sentença transitou em julgado em julho de 2019, sem recursos do Ministério Público Federal ou de Bolsonaro.

Investigações posteriores para apurar eventual participação de coautores foram arquivadas em 2020, após o MPF concluir que Adélio planejou e executou o crime sozinho. Novos exames psiquiátricos, realizados em 2022, já indicavam que ele continuava representando risco à sociedade. O laudo mais recente reforça esse entendimento e mantém a recomendação de cumprimento da medida de segurança em hospital psiquiátrico de custódia, ainda indisponível no país.


Por: Redação - Jornal A Princesinha News 

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