Única equipe de cirurgia cardíaca pediátrica de MS deixa Santa Casa e crianças podem ser transferidas para outro estado
A crise enfrentada pela Santa Casa de Campo Grande atingiu diretamente o atendimento de crianças que precisam de cirurgias cardíacas de alta complexidade. A equipe médica responsável pelos procedimentos deixou o hospital nesta quinta-feira (3), fazendo com que as cirurgias fossem suspensas.
O grupo era considerado o único do Mato Grosso do Sul habilitado para realizar determinados procedimentos de cirurgia cardíaca pediátrica, inclusive operações complexas em crianças e recém-nascidos. Com a saída dos profissionais, pacientes que necessitarem desses procedimentos poderão precisar ser encaminhados para unidades de outros estados.
Segundo informações obtidas pelo TopMídiaNews, pelo menos três crianças que aguardam cirurgias cardíacas estão atualmente na Santa Casa e podem precisar de transferência. Uma das alternativas avaliadas é o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), referência no atendimento pediátrico.
As crianças seguem sendo acompanhadas pela Santa Casa, mas a suspensão dos procedimentos impede que as cirurgias sejam realizadas na unidade. A situação preocupa familiares e profissionais, principalmente diante da complexidade dos casos e da necessidade de atendimento especializado.
A saída da equipe ocorre em meio a uma crise financeira e estrutural que se arrasta há semanas na Santa Casa. Conforme apurado pela reportagem, os médicos responsáveis pelas cirurgias estavam há quatro meses sem receber.
Além dos atrasos nos pagamentos, profissionais também relataram dificuldades relacionadas à falta de insumos e materiais necessários para a realização dos procedimentos de alta complexidade.
A Santa Casa já havia suspendido, desde 29 de julho, atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas. Entre os procedimentos afetados estavam cirurgias cardíacas de adultos e crianças.
O hospital confirmou a saída da equipe de cirurgia cardíaca pediátrica e informou que os atendimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados.
Sobre a possibilidade de transferência das crianças, a Santa Casa afirmou que o encaminhamento de pacientes para outros estados segue o fluxo de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesses casos, a Central de Regulação avalia a necessidade e busca, dentro da rede pública, uma unidade habilitada e com condições de receber o paciente.
A saída da única equipe especializada do Estado aumenta a preocupação sobre a capacidade de Mato Grosso do Sul de atender crianças que necessitam de cirurgias cardíacas pediátricas complexas, enquanto a Santa Casa enfrenta dificuldades financeiras, falta de insumos e perda de profissionais.
Por: Redação

