Polícia apreende pistola durante operação sobre desvios milionários na Santa Casa, em MS
Uma pistola semiautomática foi apreendida pela Polícia Militar durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão nesta sexta-feira (11), no Jardim Centenário, em Campo Grande. A ação faz parte da Operação Antidotum, deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga suspeitas de fraudes e desvios milionários envolvendo contratos da Santa Casa de Campo Grande.
Segundo o registro policial, equipes da PM e do Gaeco chegaram ao imóvel por volta das 8h40. Durante as buscas, os agentes encontraram a arma sobre um guarda-roupa.
A pistola é de calibre 6,35 mm e estava com a numeração de série preservada. No local também foram encontrados um carregador e sete munições intactas.
Uma mulher que estava na residência foi encaminhada para a delegacia. Conforme relatado aos policiais, ela não morava no imóvel e afirmou que o local seria a casa do namorado.
Operação prendeu seis pessoas
A Operação Antidotum cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). A investigação apura um prejuízo estimado em R$ 4,9 milhões relacionado a contratos da Santa Casa.
Entre os presos estão a diretora-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, além de integrantes da diretoria, uma supervisora do setor de prontuários e um empresário, conforme as informações divulgadas sobre a operação.
A investigação começou a partir de suspeitas de irregularidades em um contrato para digitalização de prontuários. O acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o Ministério Público, somente no primeiro ano, os desvios nesse contrato chegaram a R$ 1,4 milhão.
As apurações também identificaram possíveis irregularidades em contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. Segundo a investigação, essas empresas tinham ligação com pessoas da diretoria da Santa Casa e estariam registradas no mesmo endereço, embora o imóvel estivesse desocupado.
Somente em 2025, a operadora teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. O prejuízo estimado para a entidade seria de pelo menos R$ 3,5 milhões.
Ainda conforme as investigações, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente omitidos de órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
O valor total do possível prejuízo ainda está sendo apurado.
A operação contou com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.
As investigações seguem em andamento e os envolvidos são considerados suspeitos até eventual decisão judicial definitiva.
Por: Redação