Morcego-vampiro ataca homem e suga seu sangue; caso vira estudo científico
Um caso raro envolvendo um morcego hematófago chamou a atenção de pesquisadores no Rio de Janeiro e acabou se transformando em estudo científico. Um morador de 33 anos foi atacado pelo animal em março de 2024, na Praia do Mangue, em Ilha Grande, município de Angra dos Reis.
O homem relatou que percebeu um ferimento no dedo do pé e uma grande quantidade de sangue no chão, mas não sentiu dor e não chegou a ver o animal responsável pelo ataque. Pessoas que estavam com ele levantaram a possibilidade de que o ferimento tivesse sido provocado por um morcego-vampiro.
O morador recebeu atendimento médico na própria ilha e posteriormente foi encaminhado para uma unidade de saúde no continente. Ele seguiu o protocolo de profilaxia contra a raiva.
O caso foi posteriormente analisado por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e publicado na revista científica Physis. O trabalho descreve o episódio e discute os desafios para a prevenção da raiva após ataques de morcegos hematófagos a seres humanos.
Após o ataque, pesquisadores realizaram uma captura de morcegos na região. Em 1º de abril de 2024, foram utilizadas redes de neblina para capturar os animais.
Um morcego hematófago foi identificado como parte da investigação. O animal foi eutanasiado e uma amostra de seu encéfalo foi encaminhada para análise no Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman.
O exame para verificar a presença do vírus da raiva apresentou resultado negativo.
Os morcegos hematófagos representam apenas três espécies entre as mais de 1,4 mil espécies de morcegos existentes. Entre elas está o Desmodus rotundus, conhecido como morcego-vampiro-comum e responsável por se alimentar de sangue de mamíferos.
Embora ataques a seres humanos possam acontecer, eles são considerados eventos raros no Brasil. Os pesquisadores apontam que ocorrências desse tipo são mais registradas nas regiões Norte e Nordeste, especialmente entre populações indígenas e ribeirinhas.
Na Ilha Grande, porém, já havia registros de ataques de morcegos a animais, como cães e galinhas. A região possui pelo menos 37 espécies de morcegos conhecidas.
O estudo chama atenção para a importância da vigilância epidemiológica, principalmente porque a presença de morcegos hematófagos em áreas próximas a pessoas e animais domésticos pode representar um risco relacionado à transmissão da raiva.
No Brasil, a prevenção e o tratamento após exposição ao vírus são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo vacinação e, quando indicada, aplicação de soro ou imunoglobulina antirrábica.
Por: Redação