Brasil entra na corrida por cura da hepatite B em estudo internacional com USP e Ufes
Pesquisa liderada pela Johns Hopkins reúne cinco países e pretende descobrir novos alvos para tratamentos contra a doença
Duas universidades públicas brasileiras estão participando de uma pesquisa internacional que busca avançar no desenvolvimento de novos tratamentos e, no futuro, encontrar uma cura para a hepatite B. O estudo é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne pesquisadores do Brasil, Índia, Senegal e Uganda.
No Brasil, participam a Universidade de São Paulo (USP) e o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (Hucam-Ufes), ligado à Universidade Federal do Espírito Santo. A pesquisa começou a ser realizada no país neste ano e deve durar aproximadamente cinco anos.
O estudo pretende acompanhar cerca de 600 pessoas com hepatite B, incluindo pacientes que também tenham HIV. Serão 150 participantes de cada país envolvido, acompanhados por aproximadamente quatro anos e meio.
No Espírito Santo, a equipe da Ufes ficará responsável por acompanhar 75 participantes. O recrutamento começou em julho e já havia chegado a 40 pacientes, com previsão de completar o grupo até o final de 2026.
Os pesquisadores querem entender, em nível celular, como o vírus se comporta em diferentes pacientes e como o sistema imunológico reage à infecção. Também serão investigadas características genéticas que podem proteger algumas pessoas contra uma evolução mais rápida da doença.
Uma das principais metas é identificar estruturas do vírus e características do organismo que possam servir como marcadores para prever a resposta ao tratamento ou possíveis caminhos para a cura.
A expectativa é que essas descobertas possam ajudar no desenvolvimento de novos medicamentos, incluindo tratamentos capazes de estimular ou modificar a resposta do sistema imunológico.
Apesar do avanço da pesquisa, os resultados ainda não significam que uma nova cura ou medicamento esteja disponível. O estudo está justamente na etapa de investigação para descobrir quais mecanismos poderão ser utilizados futuramente contra a doença.
A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode permanecer silenciosa durante anos. Em sua forma crônica, pode provocar complicações graves, como cirrose e câncer hepático.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, por relações sexuais sem proteção e da mãe para o bebê durante o parto. No Brasil, cerca de 1,1 milhão de pessoas vivem com infecção crônica pelo vírus da hepatite B.
Enquanto a ciência busca novas formas de tratamento, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas não vacinadas, independentemente da idade.
A pesquisa internacional faz parte do esforço para alcançar a meta global de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.
Por: Redação
