Morte de adolescente de 13 anos em desafio na internet leva Polícia Civil a investigar grupo; jovem de Aquidauana é alvo
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| Jornal A Princesinha News |
Um adolescente de 17 anos, morador de Aquidauana, está entre os alvos da Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul na manhã da última terça-feira (4). A investigação apura a atuação de um grupo suspeito de aliciar, manipular e induzir crianças e adolescentes a práticas extremas de violência psicológica, incluindo automutilação e, em casos investigados, suicídio.
A operação foi desencadeada após a morte de uma adolescente de 13 anos, ocorrida no dia 22 de julho, em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul.
Durante a ação, o adolescente de Aquidauana foi alvo de um mandado de internação. A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva contra um suspeito de 18 anos, localizado no Pará. As diligências também ocorreram nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Ceará.
Durante a operação, os policiais apreenderam celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos. Todo o material será submetido à perícia e poderá contribuir para a identificação de possíveis novas vítimas, além de auxiliar na individualização das condutas dos investigados e na responsabilização de outros integrantes do grupo.
Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam diferentes plataformas digitais para localizar crianças e adolescentes considerados vulneráveis emocionalmente.
A aproximação ocorreria de forma gradual. Os integrantes conquistavam a confiança das vítimas e, posteriormente, passavam a exercer controle psicológico, manipulação, coação e isolamento.
A Polícia Civil identificou grupos fechados que seriam utilizados para recrutar e submeter adolescentes a diferentes formas de violência psicológica.
Entre as práticas investigadas estão desafios extremos, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras formas de violência. Em situações mais graves, os investigadores apuram casos de possível indução ao suicídio.
A investigação também aponta uma possível divisão de funções entre os integrantes, com pessoas responsáveis por atrair vítimas, estabelecer o controle sobre elas, induzir a prática de atos violentos e compartilhar imagens e registros dos episódios.
Os equipamentos apreendidos serão analisados pelas equipes especializadas e poderão ajudar a revelar a existência de outras vítimas, identificar novos suspeitos e dimensionar a atuação do grupo.
O caso ganhou força após a morte de uma adolescente de 13 anos, encontrada morta na varanda da residência onde morava, em Naviraí, no dia 22 de julho.
Durante as primeiras etapas da investigação, surgiu a informação de que a adolescente participava de um grupo na plataforma Discord e teria sido submetida a desafios extremos.
Conforme o avanço das apurações, os investigadores passaram a analisar a possibilidade de que a vítima tenha sido submetida a episódios de violência psicológica e manipulação antes de tirar a própria vida.
Supostos registros de conversas atribuídas a integrantes do grupo também passaram a circular nas redes sociais. O conteúdo está sendo analisado pelas autoridades e integra as linhas de investigação.
OPERAÇÃO
A Operação Lívia integra ações de enfrentamento à misoginia digital desenvolvidas pelo Centro Integrado Mulher Segura (Cims).
A ação também conta com apoio técnico do Ciberlab, Laboratório de Operações Cibernéticas ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A Polícia Civil continua realizando perícias nos equipamentos apreendidos e analisando as informações obtidas durante as diligências. O objetivo é identificar possíveis novas vítimas, esclarecer a participação individual dos investigados e localizar outros integrantes que possam fazer parte da estrutura investigada.
Adolescente de Aquidauana está entre os alvos
A presença de um adolescente de 17 anos, morador de Aquidauana, entre os alvos da operação evidencia a dimensão interestadual das investigações.
O adolescente foi alvo de mandado de internação, enquanto as demais medidas judiciais foram cumpridas em diferentes estados brasileiros.
As autoridades ainda investigam a extensão da atuação do grupo e trabalham para identificar possíveis outras vítimas e participantes. Por envolver adolescentes, parte das informações relacionadas aos investigados é mantida sob sigilo para preservar a identidade dos envolvidos e o andamento das investigações.
Por: Redação

