Governo inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA, mas evita falar em retaliação
O governo brasileiro formalizou nesta quinta-feira (13) o início do processo de aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Apesar da medida, integrantes do governo evitam classificar a iniciativa como uma retaliação contra os norte-americanos.
Segundo análise da CNN Brasil, a estratégia adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca demonstrar força e soberania nas negociações internacionais, mas sem necessariamente partir para um confronto comercial direto com os Estados Unidos.
A decisão ocorre após os Estados Unidos aplicarem tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros, atingindo principalmente setores como papel e celulose.
De acordo com fontes diplomáticas e assessores do governo ouvidos pela CNN, a reciprocidade deve ser encarada como uma ferramenta de negociação. A intenção é manter o Brasil preparado para responder às medidas norte-americanas, mas preservando espaço para o diálogo.
O processo, porém, não significa que novas tarifas brasileiras contra produtos dos EUA serão aplicadas imediatamente. A avaliação inicial pela Camex (Câmara de Comércio Exterior) pode levar entre 60 e 90 dias para produzir um primeiro relatório.
O governo brasileiro ainda avalia se levará o processo até a aplicação efetiva de medidas contra os Estados Unidos. A estratégia demonstra que Brasília pretende utilizar a possibilidade de reciprocidade também como instrumento de pressão nas negociações.
A preocupação é evitar uma escalada que possa prejudicar empresas brasileiras, consumidores e as próprias relações comerciais entre os dois países.
Assim, neste momento, reciprocidade não significa necessariamente guerra comercial: o governo abre caminho para uma possível resposta, mas mantém a negociação como uma das principais alternativas.
Por: Redação

