Falsas alegações sobre abortos associados à vacina da Covid se espalham
Informações falsas sobre um suposto aumento de abortos espontâneos causado pelas vacinas contra a Covid-19 voltaram a circular nas redes sociais após senadores norte-americanos divulgarem mensagens antigas do ex-assessor de saúde Anthony Fauci.
Uma das principais alegações afirma que a vacinação estaria associada a um risco de 82% de aborto espontâneo. Porém, especialistas explicam que esse percentual resulta de uma interpretação incorreta dos dados de um estudo publicado em 2021.
O estudo acompanhou inicialmente quase 4 mil mulheres vacinadas durante a gravidez. Entre as 827 gestações que haviam sido concluídas naquele momento, foram registrados 104 abortos espontâneos ou induzidos.
Posteriormente, os próprios pesquisadores publicaram uma correção explicando que não era possível calcular adequadamente a taxa de aborto espontâneo com aqueles dados, já que grande parte das participantes ainda não havia chegado ao fim da gestação.
A alegação dos 82% surge ao retirar indevidamente do cálculo cerca de 700 gestações que já estavam no terceiro trimestre quando as mulheres foram vacinadas, produzindo uma porcentagem artificialmente elevada.
Especialistas em saúde pública e medicina materno-fetal afirmam que os dados acumulados ao longo dos anos não demonstram aumento do risco de aborto espontâneo provocado pela vacinação contra a Covid-19.
O CDC, órgão de saúde dos Estados Unidos, cita dezenas de estudos e afirma que a vacinação antes ou durante a gravidez não aumentou os riscos à saúde das gestantes ou de seus bebês, além de oferecer proteção contra a própria Covid-19.
A informação sobre o suposto risco de 82%, portanto, distorce a forma como os dados do estudo foram analisados e não representa uma estimativa científica válida do risco de aborto após a vacinação.
Por: Redação

