Aos 86 anos, dona Raimunda mantém venda de ervas naturais e dá exemplo de força e dedicação em Anastácio
Na manhã deste sábado (8), a equipe do A Princesa News esteve em Anastácio para conhecer de perto a história de uma das comerciantes mais antigas e conhecidas do município. Aos 86 anos, dona Raimunda Rodrigues da Silva continua trabalhando diariamente e mantendo, em frente à própria residência, uma pequena venda de ervas naturais que se tornou parte de sua rotina e também da história de sua vida.
Natural do Ceará, dona Raimunda chegou a Anastácio ainda criança, há mais de sete décadas. Desde então, construiu sua vida no município e permanece até hoje na mesma casa onde vive desde a infância, acompanhando de perto as transformações da cidade ao longo dos anos.
Atualmente, ela mora na Rua Pinhinho Pereira Mendes, nas proximidades da Ebenezer Gás, onde também mantém sua venda.
Mesmo aposentada há muitos anos, dona Raimunda conta que nunca gostou da ideia de simplesmente ficar parada. Para ela, trabalhar sempre foi uma maneira de se sentir útil, ocupar o tempo e continuar contribuindo dentro de casa.
Foi justamente por esse desejo de continuar ativa que ela decidiu transformar a frente da própria residência em um pequeno ponto de venda de ervas naturais e produtos tradicionais, mantendo uma atividade que, com o passar dos anos, conquistou clientes e se tornou uma característica marcante da região.
Na venda de dona Raimunda, os clientes encontram uma variedade de ervas naturais, produtos medicinais tradicionais e preparações feitas a partir de ervas, frutas, plantas e outros elementos naturais.
Os produtos são adquiridos de fornecedores de confiança, escolhidos pela própria comerciante. Parte das mercadorias vem diretamente de Campo Grande, enquanto outras chegam de diferentes municípios de Mato Grosso do Sul, incluindo Corumbá e Ponta Porã.
Mais do que simplesmente vender ervas, dona Raimunda mantém viva uma tradição que atravessa gerações. São produtos que remetem àquela época em que muitas famílias recorriam aos conhecimentos das mães e avós para preparar chás, ervas e outros remédios naturais.
Com preços acessíveis e uma variedade de opções, a pequena venda se tornou uma alternativa para moradores que procuram esse tipo de produto e, ao mesmo tempo, uma forma de dona Raimunda permanecer ativa e independente.
Ao longo dos seus 86 anos, dona Raimunda enfrentou diversas dificuldades. Ela já sofreu uma fratura no fêmur e também passou por um AVC há menos de dois anos.
Seria compreensível que, diante de tantos obstáculos e já aposentada, ela decidisse deixar definitivamente o trabalho de lado.
Mesmo depois dos problemas de saúde e das limitações impostas pela idade, dona Raimunda decidiu continuar com sua venda. Aos poucos, retomou sua rotina e permaneceu fazendo aquilo que gosta: trabalhar, conversar com as pessoas e sentir que ainda pode ser útil.
Para ela, a idade nunca foi motivo suficiente para abandonar aquilo que construiu durante tantos anos.
A rotina de dona Raimunda é uma demonstração de que o trabalho também pode representar dignidade, independência, autoestima e propósito.
Sua pequena venda, instalada na frente de casa, pode parecer simples para quem passa pela rua. Para ela, entretanto, representa muito mais. É fruto de sua vontade de continuar ativa e de não permitir que as dificuldades enfrentadas ao longo da vida definissem aquilo que ainda seria capaz de fazer.
Aos 86 anos, ela continua recebendo clientes, organizando seus produtos e mantendo seu pequeno negócio funcionando.
Sua trajetória também mostra a importância dos pequenos comerciantes que fazem parte da história dos bairros e das cidades. Pessoas que, durante décadas, trabalham próximas de suas comunidades e acabam criando vínculos que vão muito além de uma simples relação comercial.
A história de dona Raimunda é, acima de tudo, uma história de perseverança.
Uma mulher que chegou a Anastácio ainda criança, viveu mais de sete décadas no município, construiu sua vida, criou sua rotina e, mesmo depois de se aposentar, encontrou uma maneira de continuar trabalhando.
Depois de enfrentar uma fratura no fêmur, um AVC e tantas outras dificuldades naturais de uma vida longa, ela poderia ter escolhido parar. Em vez disso, escolheu continuar.
Hoje, sua venda de ervas naturais não representa apenas uma fonte de renda ou um pequeno comércio. Representa a vontade de viver, de trabalhar e de mostrar que ainda há muito a fazer, independentemente da idade.
Dona Raimunda deixa uma mensagem simples, mas poderosa: enquanto houver vontade, sempre existe uma maneira de continuar.
Quem passa pela Rua Benício Pereira Mendes, pode conhecer a venda e a história dessa senhora que há décadas faz parte da comunidade de Anastácio, basta apenas procurar por uma barraca com sua placa na frente "Raimunda Ervas Naturais".
Mais do que uma comerciante, dona Raimunda se tornou um exemplo de força, dedicação, perseverança e amor pelo trabalho — uma dessas histórias simples, mas verdadeiras, que ajudam a contar a história de uma cidade.
Por: Redação



