Entenda como funciona a terapia CAR-T, tratamento que manteve Sam Neill livre do câncer
A morte do ator neozelandês Sam Neill, aos 78 anos, reacendeu o interesse mundial pela terapia CAR-T, tratamento inovador que o manteve em remissão do câncer até os últimos dias de sua vida. Diagnosticado com linfoma não Hodgkin há cerca de cinco anos, o astro de Jurassic Park passou pela terapia após a quimioterapia deixar de apresentar resultados satisfatórios. Segundo a família, ele permaneceu livre da doença até sua morte.
A terapia CAR-T é considerada um dos maiores avanços da medicina no combate ao câncer. Diferentemente da quimioterapia, que age diretamente sobre as células cancerígenas e também pode afetar células saudáveis, o tratamento utiliza as próprias células de defesa do paciente para combater o tumor.
O processo começa com a retirada dos linfócitos T, células responsáveis pela defesa do organismo. Em laboratório, essas células passam por uma modificação genética para receber um receptor especial, chamado CAR (Receptor Quimérico de Antígeno), capaz de identificar e atacar as células do câncer. Depois de multiplicadas, elas são reinfundidas no paciente por meio de uma infusão intravenosa, passando a atuar como uma espécie de "exército personalizado" contra a doença.
Atualmente, a terapia é indicada principalmente para alguns tipos de câncer do sangue, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, especialmente quando os tratamentos convencionais deixam de funcionar. Em diversos casos, os pacientes conseguem entrar em remissão prolongada e, em alguns, o tumor desaparece completamente.
Apesar dos resultados promissores, o acesso ao tratamento ainda é limitado. O alto custo, a necessidade de centros altamente especializados e a disponibilidade restrita fazem com que poucos pacientes consigam receber a terapia. No Brasil, pesquisadores avançam no desenvolvimento de versões nacionais da CAR-T, que poderão ampliar o acesso ao tratamento nos próximos anos.
Especialistas consideram a CAR-T uma das tecnologias mais revolucionárias da oncologia moderna e acreditam que, com o avanço das pesquisas, ela poderá beneficiar um número cada vez maior de pacientes, inclusive no tratamento de tumores sólidos no futuro.
Por: Redação