Defesa de Alcides Bernal afirma que risco de morte já havia sido alertado à Justiça antes do novo infarto
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A morte do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, na madrugada desta segunda-feira (13), reacendeu o debate sobre o estado de saúde do político durante o período em que permaneceu preso preventivamente. Segundo o advogado Ricardo Machado Filho, responsável por sua defesa, o risco de morte já havia sido comunicado ao Poder Judiciário dias antes do agravamento do quadro clínico.
Bernal estava preso desde 24 de março, acusado de envolvimento no homicídio do empresário e fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini. Após sofrer um infarto no início de julho, ele passou por procedimentos cardíacos, incluindo a implantação de stents nas artérias coronárias, permanecendo internado na Santa Casa de Campo Grande.
De acordo com o advogado, a defesa protocolou um pedido de prisão domiciliar na última semana, acompanhado de um laudo médico elaborado por uma especialista em cardiologia. O documento apontava que o ex-prefeito apresentava altíssimo risco cardiovascular e recomendava repouso domiciliar por, no mínimo, 30 dias após a cirurgia.
"Era uma situação que já estava alertada ao Poder Judiciário desde o momento em que ingressamos com o pedido de prisão domiciliar", afirmou Ricardo Machado Filho.
Apesar da documentação médica, a Justiça negou o pedido na sexta-feira (10), determinando o retorno de Bernal ao Presídio Militar Estadual. Na decisão, o magistrado entendeu que os elementos apresentados não demonstravam que a permanência em casa proporcionaria melhores condições de tratamento do que aquelas que poderiam ser oferecidas pelo sistema prisional.
Segundo a defesa, o ex-prefeito permaneceu apenas um dia no presídio antes de voltar a passar mal. Na noite de sábado (11), apresentou queda de pressão, desmaiou e voltou a sentir fortes dores no peito, sendo encaminhado às pressas para a Santa Casa.
Ainda no domingo (12), o advogado informou que pretendia ingressar com um novo pedido de habeas corpus, diante do agravamento do estado de saúde. No entanto, Bernal sofreu um novo infarto durante a madrugada desta segunda-feira e não resistiu.
Defesa apontava risco de morte súbita
No pedido encaminhado à Justiça, os advogados também argumentaram que o Presídio Militar não possuía estrutura adequada para acompanhar um paciente considerado de alto risco, destacando a ausência de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cardiologista de plantão 24 horas e atendimento especializado em casos de emergência.
O Ministério Público manifestou-se contrário à concessão da prisão domiciliar, sustentando que Bernal respondia por um crime de extrema gravidade.
Conforme o laudo médico divulgado após a morte, Alcides Bernal faleceu em decorrência de trombose aguda dos stents implantados nas artérias do coração, quadro que evoluiu para choque cardiogênico e infarto agudo do miocárdio. O ex-prefeito também era portador de doença arterial coronariana e diabetes mellitus.
Por: Redação

