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Mulher é presa por fingir ter 12 anos em MS; ela enganou até o Conselho Tutelar

Reprodução Campo Grande News


A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Joinville (SC), voltou a chamar a atenção das autoridades e da população após a descoberta de que ela já havia utilizado a mesma estratégia em Campo Grande. A mulher foi presa nesta quarta-feira (3) acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos para obter acolhimento, assistência e benefícios sociais.

O caso ganhou repercussão nacional após a Polícia Civil de Santa Catarina concluir que Amanda viveu durante aproximadamente 14 meses como filha adotiva de uma família catarinense. Segundo as investigações, ela alegava ser uma adolescente vítima de maus-tratos, conquistando a confiança de pessoas e instituições que lhe ofereceram apoio financeiro, moradia e até mesmo uma festa de aniversário de 12 anos.

Em Mato Grosso do Sul, a situação ocorreu em novembro de 2023. Na ocasião, Amanda procurou atendimento na Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande, afirmando ter apenas 13 anos de idade, ser natural de Feira de Santana (BA) e não possuir qualquer documentação.

A história mobilizou a rede de proteção da Capital, que encaminhou a suposta adolescente para uma unidade de acolhimento institucional destinada a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Entretanto, a versão apresentada começou a levantar suspeitas entre profissionais responsáveis pelo atendimento. Durante buscas realizadas por policiais militares na internet, foram encontradas reportagens sobre uma mulher que utilizava narrativas semelhantes em diferentes estados brasileiros.

Diante das inconsistências, Amanda foi encaminhada à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac Cepol), onde acabou revelando sua verdadeira identidade. Na época, ela afirmou ser andarilha e declarou sofrer de transtornos mentais.

Segundo o delegado Daniel Luz da Silva, responsável pelo caso em Campo Grande, não foram identificados prejuízos financeiros ou golpes aplicados na Capital sul-mato-grossense. Por esse motivo, a ocorrência foi registrada como falsa identidade. Após prestar esclarecimentos, ela foi liberada.

O histórico da mulher, porém, já era conhecido por autoridades de diversos estados. Em julho de 2023, Amanda foi identificada no Rio de Janeiro após procurar um projeto social alegando ter sido vítima de prostituição infantil, cárcere privado, maus-tratos e até rituais de bruxaria.

Na ocasião, ela sustentava que teria recebido hormônios durante a infância para aparentar idade superior à real. A versão sensibilizou voluntários e integrantes da rede de assistência até que a verdadeira identidade fosse descoberta.

Há ainda registros de situações semelhantes em estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul. Em todos os casos, segundo investigações, Amanda utilizava histórias parecidas para conseguir acolhimento e assistência social.

O episódio mais recente aconteceu em Joinville, onde ela procurou uma igreja local e relatou ter fugido do Pará devido a supostos maus-tratos. A narrativa convenceu membros da comunidade religiosa, que a ajudaram a ser acolhida por uma família.

Durante mais de um ano, Amanda viveu como filha do casal. Para justificar sua aparência física incompatível com a idade alegada, afirmava possuir autismo e outras condições clínicas, além de atribuir seu desenvolvimento físico ao uso forçado de hormônios durante a infância.

As investigações apontam que ela mantinha comportamentos infantilizados e utilizava objetos normalmente associados à infância para reforçar a falsa identidade. A fraude só foi descoberta após uma familiar dos responsáveis desconfiar da história e encontrar registros de casos semelhantes envolvendo Amanda em outros estados.

A Justiça de Santa Catarina decretou a prisão preventiva da suspeita pelos crimes investigados, incluindo estelionato. Ela também deverá passar por exame de sanidade mental para auxiliar na condução do processo.

A defesa informou que aguarda a conclusão da perícia para se manifestar oficialmente sobre o caso.

O episódio chama atenção pela complexidade da fraude e pela capacidade de Amanda em convencer redes de proteção, instituições religiosas e famílias em diferentes regiões do país ao longo dos últimos anos.


Por: Redação


Foto: Arquivo/Polícia Civil e Reprodução.

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