ÚLTIMAS
---
A Princesinha News - Aquidauana - Mato Grosso do Sul


Justiça confirma condenação e expõe o nepotismo que manchou a gestão do ex-prefeito de Nioaque

Redes Sociais 


A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a condenação do ex-prefeito de Nioaque, Valdir Couto de Souza Júnior, por ato de improbidade administrativa. O Tribunal confirmou que o ex-gestor utilizou o cargo público para favorecer familiares e aliados políticos, praticando o chamado nepotismo cruzado, em desrespeito direto à Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal, que proíbe o apadrinhamento de parentes na administração pública.

De acordo com o acórdão, Valdir Couto Júnior usou a estrutura da Prefeitura para distribuir cargos como se fossem favores pessoais. A cunhada do prefeito e a esposa do chefe de gabinete foram nomeadas para funções estratégicas, entre elas a coordenação da merenda escolar, um dos setores mais sensíveis e importantes do município. A Justiça entendeu que as nomeações não tinham justificativa técnica ou administrativa, mas apenas o objetivo de beneficiar pessoas do círculo familiar e político do então gestor.

A defesa do ex-prefeito tentou se escorar nas mudanças trazidas pela Lei nº 14.230/2021, que alterou a Lei de Improbidade Administrativa e passou a exigir a comprovação de dolo específico — ou seja, a intenção deliberada de cometer o ato ilícito. No entanto, os desembargadores foram claros ao afirmar que o dolo ficou demonstrado nos autos. O Tribunal destacou que houve vontade livre e consciente de violar os princípios da moralidade, impessoalidade e legalidade, configurando má-fé e desvio de finalidade na condução da gestão municipal.

Apesar de manter a condenação, o Tribunal afastou a obrigação de devolução dos valores pagos aos nomeados. A decisão levou em conta a nova legislação, que só prevê ressarcimento ao erário em casos em que exista prova de enriquecimento ilícito ou prejuízo financeiro direto. Assim, embora a conduta tenha sido considerada imoral e ilegal, a Justiça entendeu que não houve dano material comprovado aos cofres públicos.

Mesmo sem a obrigação de devolver os salários, a decisão representa um golpe contundente na imagem política de Valdir Couto Júnior, cuja gestão passa a ser lembrada como símbolo de favorecimento familiar e desrespeito às regras básicas da administração pública. O caso de Nioaque expõe, mais uma vez, a distância entre o discurso de ética e a prática do poder, mostrando como o interesse público pode ser deixado de lado em nome de conveniências pessoais.

A sentença serve de alerta a outros gestores que insistem em confundir o patrimônio público com interesses de família. O poder conferido por meio do voto não é um cheque em branco, e decisões como esta reforçam que a Justiça continua atenta aos desvios de conduta que ferem a moralidade administrativa e mancham a confiança da população nas instituições.



Por: Redação - Jornal A Princesinha News

 

Postar um comentário