Suprema Corte dos EUA derruba base legal de tarifas e decisão pode beneficiar exportações brasileiras
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| Flickr Nelsinho |
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, anunciada nesta sexta-feira (20), de derrubar a base jurídica utilizada para impor tarifas globais com fundamento na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) pode ter efeito imediato sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
As sobretaxas, que chegaram a até 50%, haviam sido anunciadas em julho do ano passado pelo então presidente Donald Trump. A medida provocou reação institucional no Brasil e levou o Senado a criar a Comissão Temporária Externa Brasil–EUA (CTEUA), presidida pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), com o objetivo de abrir diálogo direto com parlamentares norte-americanos.
Segundo Trad, a missão suprapartidária enviada a Washington apresentou estudos técnicos demonstrando impactos negativos das tarifas para as duas economias.
“Desde julho vínhamos alertando, em diálogo direto com parlamentares americanos, que o uso de instrumentos emergenciais para impor tarifas unilaterais criava prejuízos para os dois lados. Levamos dados técnicos ao Congresso dos EUA e mostramos que o tarifaço derrubava o nosso acesso ao mercado e elevava o custo de vida deles”, afirmou o senador.
Resolução no Senado dos EUA e recuo parcial
Nos meses seguintes, a articulação política coincidiu com a tramitação, no Senado dos Estados Unidos, de uma resolução que contestava a base legal das tarifas impostas com fundamento na IEEPA. A proposta foi aprovada por 52 votos a 48 e antecedeu a retirada de produtos brasileiros como café, carne bovina, bananas e tomates da lista de sobretaxas.
Após o recuo parcial, Trad defendeu a continuidade das negociações para contemplar os demais setores ainda afetados.
“Agora, é garantir que nenhum setor fique para trás”, declarou.
Impactos imediatos e tarifas que permanecem
Com a decisão da Suprema Corte, análises preliminares indicam que devem cair imediatamente tarifas de 10% e 40% aplicadas a produtos brasileiros cuja principal fundamentação jurídica era a IEEPA.
Por outro lado, permanecem em vigor tarifas setoriais impostas com base na Seção 232 do Trade Expansion Act, que atingem segmentos como aço, alumínio, madeira, móveis, automóveis e autopeças. O governo norte-americano já sinalizou que poderá recorrer a outros instrumentos legais para sustentar sua política comercial, incluindo investigações em curso sob a Seção 301 do Trade Act.
A Suprema Corte não tratou de eventual reembolso das tarifas já pagas. A discussão deve seguir nas instâncias inferiores da Justiça norte-americana, enquanto o senador Nelsinho Trad afirmou que continuará acompanhando o tema e articulando novas tratativas para proteger os interesses dos exportadores brasileiros.
Por: Redação - Jornal A Princesinha News



